Meu primeiro computador foi esse “trambolho” aí, o velho CP-500 da Prológica. Pra quem nunca ouviu falar, esse computador é um dos ancestral longínquo dos atuais PCs, com “rapidíssimos” 2MHz (apenas pra constar, os computadores de hoje têm um patamar de aproximadamente 3200 MHz ou 3.2GHz) e 48KB de memória RAM e 16KB de ROM para o interpretador BASIC embutido. É, você já aprendia a programar em BASIC naquela época, como a maioria dos outros computadores pessoais.
O CP-500 foi um computador desenvolvido em cima da arquitetura do padrão TRS-80 Modelo III, da norte-americana Radio Shack. Aliás, caso você ainda não tenha “pescado”: CP é de computador pessoal e o 500 é o modelo dele, porque também existiram os modelos 200, 300 e 400.
Esse computador entrou na minha vida meio que por acaso: eu estava completamente (ou quase: eu também queria ser piloto de helicóptero!) voltado para o lado de veterinária, principalmente depois de 1985 onde passamos a morar num sítio em Guarapari e tive a possibilidade de ter contato direto com muitos animais. Num belo dia de 1986, se não me engano, meu irmão mais velho foi morar conosco algum tempo depois de se formar em educação física na UFRJ. Ele havia trazido uma caixa grande, com um trambolho. No princípio, nem dei importância, mas já sabia que era o tal computador.
Tempos depois, eu perguntei pro meu pai se eu poderia usar aquele computador pra aprender alguma coisa e foi assim que o levamos pra casa. E daí em diante, nunca mais parei. Primeiro, devorei o manual do bicho de cima abaixo. Mas como era de se esperar de uma pessoa que nunca viu computador, eu não entendia quase nada porque era bastante complicado. Com um pouco de paciência e insistência e muitas cabeçadas, eu consegui aprender o suficiente pra poder entender algumas revistas que comprava nas bancas e pegava emprestado com amigos. E foi aí que descobri uma coisa interessante: eu era o diferente da turma!
Sim, enquanto eu tinha um CP-500, o restante da galera se maravilhava com TK-2000, TK-85, SX-Spectrum, Apple, Hotbit, Expert, CP-200, CP-300 e CP-400. Quem tinha a sorte de possuir um Hotbit ou um Expert era considerado o mais sortudo, porque esses dois bichinhos são as derivações brasileiras do conhecido MSX (acredite se quiser: MSX = MicroSoft eXtended). Mas continuando: eu pegava as tais revistas e via dicas, trechos de códigos em BASIC/Assembler e tentava introduzí-los no meu computador. Num primeiro momento, eu não entendia o motivo de dar erros constantes. Só depois descobri que os erros tinham motivos (manual tá ali pra isso): ou era porque os comandos digitados (sim, amigão: você copia da revista pro computador DIGITANDO!) eram incompatíveis com o CP-500 ou então era porque o meu computador era desprovido um componente importante: unidade de disco flexível, mais popularmente conhecido como drive de disquete. E não é o disquinho de 3½ polegadas que você tá acostumado, pequenininho e fácil de guardar em qualquer lugar. Eram os “enormes” 5¼ polegadas. Ah, sim: você aí já viu um disquete de 8 polegadas?
Sim, ele já existiu…
Pra quem ainda sente saudade, acabei “lembrando” ontem de um trecho de código que é o mais básico: exibir todos os caracteres da memória do bicho. Lembrei porque ontem baixei um emulador pro TRS-80 Mod. III e acabou funcionando
E bom “divertimento”!
10 CLS
20 FOR A = 1 TO 254
30 PRINT CHR$(A);
40 NEXT
Quem quiser saber mais, clique aqui, aqui para conhecer por dentro como era o CP-500 e até mesmo outros computadores de duas décadas passadas
Olha que você poderá se surpreender! E sim, acabei encontrando um joguinho MUITO MANEIRO do CP-500 chamado BANHEIRO, que originalmente é OUTHOUSE. Aqui há uma telinha do bicho, pra vocês recordarem!
