
2005 está levando muita gente importante embora. Dessa vez quem partiu foi a violeira do pantanal Helena Meireles. Lembro-me de tê-la visto apenas algumas vezes na TV e me encantei com o jeito simples que ela vivia e a maneira que era íntima do violão e da viola.
‘Dama da viola’, Helena Meirelles, morre em Campo Grande
CAMPO GRANDE - A violeira mais importante do mundo e “Dama da viola”, Helena Meirelles morreu na madrugada desta quinta-feira, vítima de uma parada cardio-respiratória em sua casa em Campo Grande. Com a viola, Helena dedicou sua vida inteira ao som do mato, que traduzia a alma do pantaneiro.
Helena Meireles tinha 81 anos. Ela estava internada na Santa Casa e na última terça-feira ela recebeu alta, onde ficou internada por dez dias com pneumonia crônica. Helena morreu na madrugada desta quinta-feira em casa, vítima de uma parada cardio-respiratória.
O corpo da violeira está sendo velado no cemitério Parque das Paineiras, na avenida Tamandaré. O horário do sepultamento ainda não foi divulgado.
Nascida no dia 13 de agosto de 1924, Helena cresceu na fazenda Jararaca, que ficava na estrada Boiadeira, que liga Campo Grande ao porto 15 do Rio Paraná, divisa com o estado de São Paulo. Helena Meirelles cresceu rodeada de peões, comitivas e violeiros pantaneiros. Só de olhar, aprendeu a tocar viola e começou a surpreender desde jovem.
A música de Helena é reconhecida pelos sul-mato-grossense, como expressão das raízes e da cultura da região. Na juventude, chegava tocava de graça em festas, bailes e bares. Sua música é centrada em ritmos do Estado com influências paraguaias, entre eles, chamamé, rasqueado e polca.
Em 1980, foi apresentada por Inezita Barroso no programa “Mutirão”, que a cantora comandava pela rádio USP de São Paulo. Inezita Barroso, nessa oportunidade apresentou Helena Meirelles tocando ao vivo e mostrando seu trabalho. Inezita também foi responsável por apresentar a violeira em seu programa “Viola, minha viola”, na TV Cultura.
Entre os anos 80 e 90, gravou uma fita que não recebeu grande atenção em diversas rádios. Em 1992, Helena Meirelles se apresentou ao lado de Inezita Barroso e da dupla Pena Branca e Xavantinho no Teatro do Sesc, em São Paulo.
Mas o reconhecimento da violeira aconteceu em 1993, quando a revista norte-americana Guitar Player a escolheu como Instrumentista Revelação do Ano, com o Prêmio Spotlight. Um sobrinho de Helena enviou para a revista especializada, uma fita com gravações feitas em um pequeno estúdio. No mesmo ano tocou em um grande show em São Paulo com a dupla Tonico e Tinoco.
Helena Meirelles tocava também bandolim, rabeca e violão, mas é na viola que ela viajava por nossos rios e nossas matas para nos revelar um país musical e belo.
Morre a seresteira Helena Meireles
RIO - Morreu na madrugada de hoje aos 81 anos, a seresteira Helena Meireles, vítima de parada respiratória. Helena morreu em casa depois de ficar internada por 10 dias na Santa Casa de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, para tratamento de pneumonia aguda nos dois pulmões.
O velório vai acontecer no Jardim das Paineiras, localizado na Avenida Tamandaré, em Campo Grande. O enterro será amanhã.
A seresteira nasceu numa fazenda no pantanal do Mato Grosso do Sul e cresceu rodeada de peões, comitivas e violeiros. Fascinada pelas violas caipiras, a família não permitia que aprendesse a tocar, o que acabou fazendo por conta própria, às escondidas. Aos poucos ficou conhecida entre os boiadeiros da região. Casou-se por imposição dos pais aos 17 anos, abandonando o marido pouco tempo depois para juntar-se a um paraguaio que tocava violão e violino.
Separou-se novamente e, resolvida a tocar viola em bares e farras, deixou os filhos dos dois casamentos com pais adotivos e ganhou a estrada até encontrar o terceiro marido. Depois de desaparecer por mais de 30 anos, foi encontrada bastante doente por uma irmã, que a levou para São Paulo, onde foi ”descoberta pela mídia” a partir de uma matéria elogiosa na revista americana ‘Guitar Player’. Apresentou-se em um teatro pela primeira vez aos 67 anos, e gravou discos em seguida. Foi escolhida em 1993 pela Guitar Player como uma das ‘100 mais’ por sua atuação nas violas de 6, 8, 10 e 12 cordas.