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Entrevista: Francisco José

23, January, 2010 1 comentário

Tomei a liberdade de reproduzir aqui a entrevista feita ao ator em dublagem Francisco José pelo Marco Antônio dos Santos, dono do blog “AIC: Dublagem com arte“, por achar que essa é uma entrevista que deve ser de conhecimento de todo fã de dublagem. Espero que gostem.

O dublador Francisco José

1 – Quais as outras profissões que você exerceu antes de ser ator/dublador ?

R: Tive outras profissões sabendo que seriam passageiras. Quando aparecesse a oportunidade de ser ator as profissões seriam abandonadas. Assim, fui aeroviário, comprador da Cosipa, jornalista (antes da regulamentação da profissão), assistente de vendas de uma indústria alimentícia. Em todas elas fui relativamente bem pago, mas o vírus já tinha me contaminado. Nos meus tempos de ginásio eu já era um tremendo agitador de teatro.
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Categories: Dublagem, Entrevistas

Entrevista: Luiz Nunes

5, June, 2009 7 comentários

Olá, pessoal. Depois de muito tempo, volto a escrever por aqui.

A boa notícia que trago é que consegui entrevistar uma pessoa muito bacana que é o ex-dublador paulista Luiz Nunes, responsável por dublar ninguém menos que o herói nipônico de milhares de brasileiros na década de 1980: Spectreman!

Luiz Nunes emprestou sua voz para o herói que fez o maior sucesso entre a garotada. Hoje, há mais de duas décadas afastado das dublagens, é fundador da Diretiva Publicidade em Campinas (SP). Mais informações sobre sua atual profissão podem ser encontradas neste website. Luiz Nunes também é cronista no website Recanto das Letras.

Acreditem ou não, ele me confidenciou que foi com o salário da dublagem do seriado Spectreman que o ajudou a criar seu filho, Luiz Augusto, que é afilhado do saudoso dublador Marcelo Gastaldi Junior.

Daniel Neto) Como você começou sua profissão de dublador / ator em dublagem?
Luiz Nunes) Eu era ator amador em Marília, interior de SP, e fui para a capital São Paulo de janeiro de 1973 com o objetivo de estudar e ser profissional. Dublagem foi uma das primeiras alternativas remuneradas que consegui, a princípio como bico.

Daniel Neto) Quem foram as pessoas que te incentivaram no início?
Luiz Nunes) Olney Cazarré, Marcelo Gastaldi, Silmara Naggy.

Daniel Neto) Quais são seus ídolos na dublagem?
Luiz Nunes) Dubladores? Muitos. Garcia Neto, por exemplo… Marcelo Gastaldi chegou a ser meu compadre também.

Daniel Neto) Não há muitas obras recentes dubladas com sua voz. Desde quando você está afastado da dublagem?
Luiz Nunes) Rapaz, parei em 1982. O único remanescente que ouço falar é o próprio Spectreman.

Daniel Neto) Mesmo seguindo nessa nova carreira, não pensaria em voltar a dublar?
Luiz Nunes) Gostaria sim. Era muito envolvente, cansativo mas extremamente prazeiroso. Cheguei a fazer algumas penas coisas, narração por exemplo, depois que encerrei esta fase.

Daniel Neto) Se você pudesse estar novamente uma bancada de dublagem, qual seriam os colegas que estariam nela com você?
Luiz Nunes) Olha, tem um colega que está na ativa, no Rio de Janeiro, o Chico José, que tambem estava no elenco do Spectreman.

Daniel Neto) Com o advento da internet, muitos fãs já chegaram a se corresponder com você?
Luiz Nunes) Surpreendente esta ferramenta. Muitas pessoas me descobriram e me deram a alegria de saber que não fui esquecido.

Daniel Neto) O seriado Spectreman foi um sucesso de audiência dentro e fora do Brasil. Em sua opinião, a que se deve esse sucesso?
Luiz Nunes) Os seriados japoneses tinham uma visão fantásticamente fantasiosa da realidade. O Spectreman era um herói preocupado com aquilo que hoje virou moda, o meio ambiente. Era bacana como, em liguagem exagerada, procurava impressionar as novas gerações a respeito desta e de outras responsabilidades para com o mundo.

Daniel Neto) Existe algum episódio de Spectreman que foi marcante para você?
Luiz Nunes) Acredito que o último. Estava gravando e já sentindo saudade. Nem me lembro de detalhes em algum deles.

Daniel Neto) Na época, a dublagem do seriado fora feita nos estúdios da Com-Arte. Esse estúdio existe ainda hoje ou você não tem notícias?
Luiz Nunes) Com-Art era uma empresa em estilo cooperativista. Cooperativa Mista de Artistas e Técnicos Ltda, uma empresa que fundamos a partir de uma grande greve de dubladores, em 1978. Nosso grupo, liderado por Osmiro Campos, João Angelo, Gastaldi, eu… Praticamente os que acabaram formando o elenco principal do Spectreman, produzia teatro, formava atores, modelos…. E fechou as portas no inicio de 1983, por não resistir a uma maxi-desvalorização da moeda corrente da época. Importamos muitos equipamentos para montagem de um estúdio, em dólar e, de um dia ara o outro, o então Ministro da Fazenda Delfin Netto mexeu na economia e o dinheiro brasileiro que custava apenas 1 dólar passou a custar algo próximo de 10 a 12 dólares. Quebramos.

Daniel Neto) Quais integrantes do elenco de dublagem do seriado que você ainda mantém contato?
Luiz Nunes) Osmiro Campos e Francisco José. Gastaldi morreu e os demais nem sei.

Daniel Neto) Quais são as virtudes em comum entre você e o herói Spectreman?
Luiz Nunes) Tento ser consciente dos meus deveres como cidadão e sou romantico. Acredito que um dos motivos da escolha da minha voz tenha sido o tom romântico que me é peculiar.

Daniel Neto) Se fosse possível dar um conselho ao Spectreman, qual você daria?
Luiz Nunes) Seja menos romântico. Acho que não teria nada a aconselhar, objetivamente.

Daniel Neto) Lembro-me vagamente de ouvir sua voz em rápida participação em dois episódios do Pica-pau. Chegou a conhecer o Garcia Neto, Dolores Machado e o Garcia Junior? E o irmãos Older e Olney Cazarré?
Luiz Nunes) Todos eles, dublamos muitas obras preciosas juntos.

Daniel Neto) Muitos dos dubladores do seriado Chaves também foram dubladores do seriado Spectreman. Foram dublados na mesma época?
Luiz Nunes) Não. O Chaves já foi um trabalho feito pela MAGA, produtora que o Marcelo Gastaldi fundou logo após o fim da COM-ART.

Daniel Neto) Agradeço imensamente sua colaboração na realização desta entrevista e sei que seu tempo é precioso, por estar dirigindo uma agência de publicidade. Poderia deixar uma mensagem final aos fãs do seriado Spectreman?
Luiz Nunes) Minha mensagem pode até ser confundida com muitas por aí. Desejo que a fantasia dos seriados não sejam motivo de alienação para ninguém. Que enxergassem que o país, o planeta, está precisando de atitudes e não apenas de contestações verborrágicas. É preciso se conscientizar que os Goris de hoje estão na presidência da republica, nos governos estaduais… Se lixando para o nosso bem estar. Preocupados apenas com quantos milhões irão embolsar a cada lei aprovada. Minha mensagem é de que somos responsáveis por isso tudo e não vai haver nenhum Spectreman para limpar a nossa barra depois que votarmos e elegermos este povo. Desculpe se ofendo sua opção de vida e filosofia partidária. Se quiserem ler textos meus acessem WebArtigos.

Entrevista: Silvio Navas

30, May, 2006 11 comentários

Olá, pessoal.

Trago pra vocês, depois de bastante tempo, mais uma entrevista. Dessa vez, tive a oportunidade de entrevistar o dublador Silvio Navas, que é dono de uma voz poderosa e ao mesmo tempo um sujeito muito amigável. Morando atualmente na cidade paulista de Santos, Silvio me contou um pouco de sua vida dentro e fora da dublagem, além de nos presentear com duas fotos e um vídeo, este último concedido a dois outros fãs que estiveram pessoalmente com ele. Se você quiser saber mais informações sobre o Silvio, clique aqui.

Leia a entrevista, na íntegra, abaixo. Bom divertimento!

Daniel Neto) Há quanto tempo você é ator em dublagem?

Silvio Navas) Há uns 42 anos.

Daniel Neto) Quais são os trabalhos que mais lhe marcaram?

Silvio Navas) Pelo que dizem os fãs: Mumm-ra (ThunderCats), OS SMURFS (Papai Smurf, Vaidoso e Fazendeiro), Bender, Marlon Brando em “O Poderoso Chefão”, Joe Pesce em “Esqueceram de Mim I e II”. Eu ainda fico com os quatro filmes falados de Charlie Chaplin.

Daniel Neto) Hoje você dubla em Santos/Sampa. Sente saudade de dublar no RJ?

Silvio Navas) Em Santos eu não dublo, pois não me dou com o Pedro, dono da DPN. Não me pergunte por que… Mas sinto saudade de dublar no RIO. Também não me pergunte por que…

Daniel Neto) Muitos fãs de dublagem adoram o Mum-ra dos Thundercats. Você gostou deste trabalho?

Silvio Navas) Foi um trabalho interessante, apesar de cansativo. Gostei de ter feito o vilão.

Daniel Neto) Se tivesse uma oportunidade, qual ou quais trabalhos você gostaria de refazer?

Silvio Navas) Acho que todos esses que falamos até aqui. Na verdade gostaria de redublar todos que se encaixassem em minha voz.

Daniel Neto) Há a impressão que os dubladores “das antigas” aparentemente sumiram. Isso deve-se à saturação de profissionais no mercado?

Silvio Navas) Já ouviu falar de uma coisa chamada morte? Acontece até nas melhores famílias. Não acho que o mercado esteja saturado. O que sinto é o aproveitamento dos mesmíssimos dubladores pra qualquer coisa.

Daniel Neto) Quem são seus ídolos na dublagem?

Silvio Navas) Taí uma coisa difícil de se dizer. São tantos! Mas vou citar um nome só por desencargo de consciência: Meu amigo, Borges de Barros (um beijo pra ele).

Daniel Neto) Com quem você gostaria de dividir uma bancada de dublagem mais uma vez?

Silvio Navas) Hoje em dia não se divide mais bancada (INFELIZMENTE), mas gostaria de um fogo cruzado com o Borges de Barros. Nós dois nunca tivemos uma grande cena na mesma produção. Sempre que chamaram a ele, não me chamaram e vice-versa.

Daniel Neto) Há muitos fãs que gostariam de seguir os passos dos seus ídolos em questão de dublagem. Qual seu conselho para eles?

Silvio Navas) Se entregar, de corpo e alma , no trabalho e não se furtar nunca de dar seu melhor. Agora, os conselhos à respeito da forma de dublar é só vir fazer o curso comigo… rsrsrsrs

Daniel Neto) Quando você não está dublando, o que está fazendo? Como é o dia-a-dia do Silvio Navas fora da dublagem?

Silvio Navas) Sou colecionador de selos, moedas e cédulas. Compro, vendo e troco.

Daniel Neto) Cite, caso haja, dubladores que você teve a oportunidade de “lançar” e que hoje são conhecidos do grande público.

Silvio Navas) Duas vezes já vi entrevistas com dubladores, dizendo que começaram ou foram “lançados” por outro que não eu, o que me assustou (eu jurava que tinha sido eu). Portanto não vou citar nomes. Se um dia eles se lembrarem, quem sabe, eles dirão.

Daniel Neto) Você dublou o Dudu (comedor de hambúrguer) do desenho Popeye. Será que você se lembra dos outros dubladores (além do Orlando Drummond) do elenco do desenho (Brutus, Olívia, Gugú, Bruxa do Mar, Dureza)?

Silvio Navas) Sei que antes de mim quem dublava o Gugú era o João Jaci (pra Sampa o nome é JB, já falecido), Brutus foi o André Chapéu, Olívia foi a esposa do Paulo Gonçalves (que dublava Hawai 5.0), mas vou perguntar ao Hugo Kaiosama, que sabe tudo de dublagem, e ele fala contigo.

Daniel Neto) Você poderia disponibilizar uma foto atual sua?

Silvio Navas) Claro que posso. Tô mandando anexo.

Silvio Navas - foto pessoal de 17/07/2005
Silvio Navas – foto pessoal de 17/07/2005

Silvio Navas - foto pessoal
Silvio Navas – foto pessoal

Daniel Neto) Deixe uma mensagem para os seus fãs e fãs da dublagem brasileira.

Silvio Navas) Eu já dei essa resposta numa entrevista. Pra ser condizente, vou repetí-la. “Bom, o que eu queria pedir a todos é o seguinte: Não deixem que a dublagem passe em branco. Quando virem um filme ou desenho animado, deixem os ouvidos bem aguçados. Quando terminar o divertimento dêem uma nota, pra vocês mesmos, na dublagem. Perguntem-se, se entenderam todas as sentenças, se as boquinhas estavam condizentes com o texto, se a interpretação estava adequada àquele filme ou desenho animado. Se vocês se sentirem menosprezados pela atenção que lhes deram na dublagem, tentem encontrar um veículo pra contar isso, mas, ao mesmo tempo, se vocês acharem que foram contemplados com um ótimo trabalho de dublagem passem e-mails, para esses veículos, dizendo do contentamento que tiveram ao verem um trabalho tão bem feito”.

Categories: Dublagem, Entrevistas

Entrevista: Miriam Ficher

30, November, 2004 7 comentários

Nova entrevista para vocês! Tive a oportunidade de entrevistar a atriz e dubladora Miriam Ficher. Miriam é conhecida por emprestar sua voz a personagens de desenhos animados, como a Lilica do desenho Tiny Toons e a Vaca de A Vaca e o Frango. Também empresta sua voz para atrizes como Meg Ryan, Jodie Foster e Uma Thurman. Nesta entrevista, você poderá conhecer um pouco mais dessa versátil atriz. Confira!

Daniel Neto) Quem é a Miriam Ficher?

Miriam Ficher) Mulher, 40 anos, mãe de 2 gatinhas: Bárbara (12 anos) e Victória (11 anos), dubladora.

Daniel Neto) Quando você começou a trabalhar como atriz? E como dubladora?

Miriam Ficher) Aos 9 anos comecei a fazer pequenas participações em novelas (figuração), depois de alguns testes e uma participação um pouco melhor na novela “O Grito”, fui contratada, aos 12 anos, para fazer a novela “Vejo a Lua No Céu”. Era um papel maravilhoso que lembro com muito carinho até hoje. Depois disso fiz mais uma novela (“Locomotivas”), linha de show, teatro, cinema. Aos 13 anos recebi um convite para fazer um teste de dublagem para um seriado chamado “Família”. A diretora Ângela Bonatti viu meu trabalho na TV e resolveu me chamar. Na época praticamente não havia crianças dublando, as vozes eram feitas por adultos e a Ângela decidiu chamar uma menina da idade da personagem. Passei no teste e comecei a dublar na Peri Filmes, em 1977. O seriado era exibido na TV Bandeirantes.

Daniel Neto) O mercado de dublagem está receptivo a novos profissionais de dublagem?

Miriam Ficher) Renovar, absorver novos talentos é necessário sempre, mas no momento o mercado se encontra saturado, com pouco trabalho para veteranos e poucas oportunidades para os novos profissionais, o q não significa que não vale a pena tentar.

Daniel Neto) Quais as maiores dificuldades de se dublar?

Miriam Ficher) O processo está se tornando cada vez mais rápido. É preciso acompanhar isso, sem, no entanto, perder a qualidade.

Daniel Neto) O dublador é ator mas nem todo ator é dublador. Essa frase é correta?

Miriam Ficher) Sim, assim como nem todo bom ator de teatro é bom em novela e vice-versa. A dublagem é uma especialidade do ator. Um ótimo cardiologista, por exemplo, em geral não entende nada de ortopedia, ele é especializado em outra área.

Daniel Neto) Qual a personagem que te cativou quando você foi dublá-la?

Miriam Ficher) A Jane (Tarzan – Disney)

Daniel Neto) Se você não fosse dubladora/atriz, que carreira profissional teria seguido?

Miriam Ficher) Psicologia. Cursei alguns períodos na Uerj. Às vezes me arrependo de não ter concluído.

Daniel Neto) A dublagem brasileira é uma das mais, senão a mais, elogiada do mundo. Mas o profissional nem sempre é reconhecido. O que contribui para isso?

Miriam Ficher) A pouca valorização da nossa língua, talvez…

Daniel Neto) Você gostaria de ter trabalhado algum personagem que foi escalado para outra dubladora?

Miriam Ficher) Sinceramente… Não cobiço trabalho alheio. rs,rs.

Daniel Neto) Diga um dublador falecido que você gostaria de poder ouvir e trabalhar novamente.

Miriam Ficher) Puxa. São tantos… Gualter de França, Dario Lourenço, Ronaldo Magalhães, André Filho, Marco Miranda, Cleonir (dos Santos), Paulo Flores, Sônia Ferreira, Magalhães Graça, Turelli, Prado…

Daniel Neto) Deixe uma mensagem aos fãs de dublagem.

Miriam Ficher) Quando fui pela primeira vez a um evento de anime fiquei maravilhada e emocionada com o carinho e a importância dada aos dubladores. A partir daquele momento, percebi a responsabilidade que a gente tem ao dublar. Espero corresponder sempre a esse carinho. Por isso, quando estou muito cansada e sem energia no estúdio, lembro de vocês para retomar a força e não deixar a peteca cair. Obrigada mesmo por toda energia positiva e todo carinho de vocês. Beijosssss, Miriam

Clique aqui e confira mais sobre a Miriam Ficher e sobre dublagem!

Categories: Dublagem, Entrevistas

Entrevista: Guilherme Briggs

11, November, 2004 9 comentários

Depois de muito tempo tentando, finalmente consegui mais um entrevistado. Dessa vez, apresento-lhes o dublador, que já teve a oportunidade de ser homenageado em outra categoria (Dublagem): Guilherme Briggs.

Guilherme é dublador e constantemente aparece em nossa casa, geralmente dublando aquele personagem de desenho animado bem engraçado e/ou espalhafatoso. Quando não, ele dá a voz a personagens sérios de filmes de ação e/ou suspense, aparecendo também nos de comédia. Curtam a entrevista!

Daniel Neto: Quem é o Guilherme Briggs?

Guilherme Briggs: O Guilherme é uma pessoa que é movida pelo amor: da sua família, pelo amor à Arte e Ciência e pelo aprendizado. Meio reservado às vezes, parece até um bichinho na ostra, mas quando se solta é uma explosão de alegria. Tem sua profissão de dublador como um verdadeiro caldeirão de aprendizados e experiências humanas. A encara de uma respeitosa, séria e extremamente apaixonada e incondicional. Tem um carinho enorme por seus colegas de ofício. De vez em quando fica meio isolado dos amigos, quietinho, no seu canto, por conta do trabalho e de sua natureza tranqüila e de ermitão mesmo, mas jamais esquece quem ama e guarda todos no coração com muito carinho. Distraído, espontâneo, é motivo de muitas risadas por parte de quem lhe conhece, devido ao seu jeito aéreo e pelas maluquices e brincadeiras que tem uma predileção toda especial de fazer. Tem uma vontade enorme de agradar, de dar carinho para as pessoas, de tratar a todos como se fossem seus amigos queridos, de fazê-las rir muito, mas reconhece que na maioria das vezes isso, infelizmente, não é possível. O Guilherme sempre foi muito preocupado com a posição da Humanidade neste planeta, sua conduta, ações e seus conceitos, com a eterna lei do retorno e do equilíbrio da Natureza. E pra finalizar, só posso falar que ele ama Deus e tem por ele um profundo carinho de filho: lamentando pelos erros e tentando melhorar aos olhos do pai sempre.

Daniel Neto: Quando você começou a trabalhar como ator? E como dublador?

Guilherme Briggs: Comecei na empresa VTI Rio. Eu comecei a estagiar lá e depois nunca mais parei de dublar. Meu primeiro personagem principal foi o Tenente Worf, o Klingon de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração. Imagine um fã como eu dublando este personagem… nossa, fiquei emocionadíssimo, tremendo de nervoso! Atualmente não estou mais na VTI, mas trabalho nas várias empresas de dublagem do Rio (Double Sound, Wan Macher, Cinevídeo, Herbert Richers…) e em especial na Delart, onde dirijo (e traduzo alguns projetos meus) também.

Daniel Neto: O mercado de dublagem está receptivo a novos profissionais?

Guilherme Briggs: Sim, está, mas o novo profissional deve ter paciência, pois o início é bem demorado. Ele deve se apresentar em todos os estúdios, treinar sua técnica em cursos, sua dicção e o principal: a interpretação. Estamos com muito menos trabalho do que há alguns anos, infelizmente. E isso muitas vezes não é compreendido pelos novatos, que acreditam que o mercado está indo de vento em popa.

Daniel Neto: Quais as maiores dificuldades de se dublar?

Guilherme Briggs: As condições técnicas de trabalho são muito importantes. O som nos fones, a imagem na televisão e a tradução tem que estar excelentes, para que o dublador possa então relaxar, se concentrar totalmente e deixar fluir a sua arte com gosto e disposição.

Daniel Neto: O dublador é ator mas nem todo ator é dublador. Essa frase é correta?

Guilherme Briggs: Corretíssima. Eu prefiro mais o termo que os americanos dão para nossa especialidade: “voice actor” e/ou “talent“, ou simplesmente “ator da voz” e/ou “talento”. Pois o nosso trabalho não consiste somente em “dublar” um personagem. Nós recriamos a interpretação, adequando para nossa musicalidade, nossos costumes e idiossincrasia brasileira. Portanto, trata-se de uma NOVA versão do personagem. Por isso que nas aberturas dos filmes se fala “versão brasileira…” e não “dublagem…”, pois é uma reinterpretação do trabalho original, com toda certeza. A adaptação na dublagem é o espírito, a espinha dorsal e a linha tênue que divide o bom trabalho, criativo e artístico da dublagem pura e simples. Uma excelente dublagem respeita todos esses aspectos que mencionei.

Daniel Neto: Qual o personagem que te cativou quando você foi dublá-lo?

Guilherme Briggs: Nossa, foram muitos… tenho vários inesquecíveis, como o Daggett de Castores Pirados, Freakazoid, Buzz Lightyear… Dublar o Jim Carrey no Grinch e mais recentemente no “Desventuras em Série” (ambos para cinema) foi o máximo, amei!! Dublo atualmente uma série chamada MEGAS XLR que é o meu xodó. O “Cara”, que é o personagem que eu faço, é hilário, impagável!!

Daniel Neto: Se você não fosse dublador, que carreira profissional teria seguido?

Guilherme Briggs: Acredito que qualquer coisa relacionada à Arte, com toda certeza: Ilustração, Quadrinhos, Pintura, Animação…

Daniel Neto: A dublagem brasileira é uma das mais, senão a mais, elogiada do mundo. Mas o profissional nem sempre é reconhecido. O que contribui para isso?

Guilherme Briggs: O preconceito limitado das pessoas, que ainda alimentam a idéia de que “o que é importado é melhor”, quando esquecem que nossa cultura brasileira é única no universo, sendo por isso rica e insubstituível. Nós, brasileiros, somos patrimônios da humanidade, assim como qualquer povo deste planeta, mas parece que esquecemos disso. Quem ataca a dublagem, geralmente carece desse tipo de esclarecimento.

Daniel Neto: Você gostaria de ter trabalhado algum personagem que foi escalado para outro dublador?

Guilherme Briggs: Eu sempre quis dublar o Jim Carrey. A maioria de seus filmes foram feitos brilhantemente pelo Marco Ribeiro, a quem admiro muito. Mais recentemente pude ter a oportunidade de

Daniel Neto: Diga um ou mais dubladores falecidos que você gostaria de poder ouvir e trabalhar novamente.

Guilherme Briggs: Eu adoraria ter conhecido o Nelson Batista (Jerry Lewis), Paulo Pinheiro (Don Drácula), a dubladora da Feiticeira (de São Paulo), Marcos Miranda (Dean Martin e William Shatner), Bruno Neto (a voz do Agente 86), queria ter conversado mais com o Garcia Neto (pai do Garcia Júnior), com o Cleonir (dos Santos) e o André Filho… Poder rever o querido Paulo Flores… Puxa, são tantos!!… Dá um aperto no coração pensar nesses queridos colegas que se foram…

Daniel Neto: Podemos lhe “conhecer” através de alguma foto que você possa divulgar?

Guilherme Briggs: Claro, minhas fotos podem servir para matar mosquito, afugentar pragas do Egito e servir como portal inter-dimensional para invasões alienígenas. Bom, essa última parte eu não posso explicar, pois é confidencial. (risos)

Daniel Neto: Deixe uma mensagem aos fãs de dublagem.

Guilherme Briggs: Muito obrigado por gostarem e cultivarem a dublagem brasileira com tanto carinho. Estamos assim, preservando nossa língua, nossa cultura e espírito. Um grande beijo e abraço à todos e visitem o meu site: www.guilhermebriggs.kit.net

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