Depois de muito tempo tentando, finalmente consegui mais um entrevistado. Dessa vez, apresento-lhes o dublador, que já teve a oportunidade de ser homenageado em outra categoria (Dublagem): Guilherme Briggs.
Guilherme é dublador e constantemente aparece em nossa casa, geralmente dublando aquele personagem de desenho animado bem engraçado e/ou espalhafatoso. Quando não, ele dá a voz a personagens sérios de filmes de ação e/ou suspense, aparecendo também nos de comédia. Curtam a entrevista!
Daniel Neto: Quem é o Guilherme Briggs?
Guilherme Briggs: O Guilherme é uma pessoa que é movida pelo amor: da sua família, pelo amor à Arte e Ciência e pelo aprendizado. Meio reservado às vezes, parece até um bichinho na ostra, mas quando se solta é uma explosão de alegria. Tem sua profissão de dublador como um verdadeiro caldeirão de aprendizados e experiências humanas. A encara de uma respeitosa, séria e extremamente apaixonada e incondicional. Tem um carinho enorme por seus colegas de ofício. De vez em quando fica meio isolado dos amigos, quietinho, no seu canto, por conta do trabalho e de sua natureza tranqüila e de ermitão mesmo, mas jamais esquece quem ama e guarda todos no coração com muito carinho. Distraído, espontâneo, é motivo de muitas risadas por parte de quem lhe conhece, devido ao seu jeito aéreo e pelas maluquices e brincadeiras que tem uma predileção toda especial de fazer. Tem uma vontade enorme de agradar, de dar carinho para as pessoas, de tratar a todos como se fossem seus amigos queridos, de fazê-las rir muito, mas reconhece que na maioria das vezes isso, infelizmente, não é possível. O Guilherme sempre foi muito preocupado com a posição da Humanidade neste planeta, sua conduta, ações e seus conceitos, com a eterna lei do retorno e do equilíbrio da Natureza. E pra finalizar, só posso falar que ele ama Deus e tem por ele um profundo carinho de filho: lamentando pelos erros e tentando melhorar aos olhos do pai sempre.
Daniel Neto: Quando você começou a trabalhar como ator? E como dublador?
Guilherme Briggs: Comecei na empresa VTI Rio. Eu comecei a estagiar lá e depois nunca mais parei de dublar. Meu primeiro personagem principal foi o Tenente Worf, o Klingon de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração. Imagine um fã como eu dublando este personagem… nossa, fiquei emocionadíssimo, tremendo de nervoso! Atualmente não estou mais na VTI, mas trabalho nas várias empresas de dublagem do Rio (Double Sound, Wan Macher, Cinevídeo, Herbert Richers…) e em especial na Delart, onde dirijo (e traduzo alguns projetos meus) também.
Daniel Neto: O mercado de dublagem está receptivo a novos profissionais?
Guilherme Briggs: Sim, está, mas o novo profissional deve ter paciência, pois o início é bem demorado. Ele deve se apresentar em todos os estúdios, treinar sua técnica em cursos, sua dicção e o principal: a interpretação. Estamos com muito menos trabalho do que há alguns anos, infelizmente. E isso muitas vezes não é compreendido pelos novatos, que acreditam que o mercado está indo de vento em popa.
Daniel Neto: Quais as maiores dificuldades de se dublar?
Guilherme Briggs: As condições técnicas de trabalho são muito importantes. O som nos fones, a imagem na televisão e a tradução tem que estar excelentes, para que o dublador possa então relaxar, se concentrar totalmente e deixar fluir a sua arte com gosto e disposição.
Daniel Neto: O dublador é ator mas nem todo ator é dublador. Essa frase é correta?
Guilherme Briggs: Corretíssima. Eu prefiro mais o termo que os americanos dão para nossa especialidade: “voice actor” e/ou “talent“, ou simplesmente “ator da voz” e/ou “talento”. Pois o nosso trabalho não consiste somente em “dublar” um personagem. Nós recriamos a interpretação, adequando para nossa musicalidade, nossos costumes e idiossincrasia brasileira. Portanto, trata-se de uma NOVA versão do personagem. Por isso que nas aberturas dos filmes se fala “versão brasileira…” e não “dublagem…”, pois é uma reinterpretação do trabalho original, com toda certeza. A adaptação na dublagem é o espírito, a espinha dorsal e a linha tênue que divide o bom trabalho, criativo e artístico da dublagem pura e simples. Uma excelente dublagem respeita todos esses aspectos que mencionei.
Daniel Neto: Qual o personagem que te cativou quando você foi dublá-lo?
Guilherme Briggs: Nossa, foram muitos… tenho vários inesquecíveis, como o Daggett de Castores Pirados, Freakazoid, Buzz Lightyear… Dublar o Jim Carrey no Grinch e mais recentemente no “Desventuras em Série” (ambos para cinema) foi o máximo, amei!! Dublo atualmente uma série chamada MEGAS XLR que é o meu xodó. O “Cara”, que é o personagem que eu faço, é hilário, impagável!!
Daniel Neto: Se você não fosse dublador, que carreira profissional teria seguido?
Guilherme Briggs: Acredito que qualquer coisa relacionada à Arte, com toda certeza: Ilustração, Quadrinhos, Pintura, Animação…
Daniel Neto: A dublagem brasileira é uma das mais, senão a mais, elogiada do mundo. Mas o profissional nem sempre é reconhecido. O que contribui para isso?
Guilherme Briggs: O preconceito limitado das pessoas, que ainda alimentam a idéia de que “o que é importado é melhor”, quando esquecem que nossa cultura brasileira é única no universo, sendo por isso rica e insubstituível. Nós, brasileiros, somos patrimônios da humanidade, assim como qualquer povo deste planeta, mas parece que esquecemos disso. Quem ataca a dublagem, geralmente carece desse tipo de esclarecimento.
Daniel Neto: Você gostaria de ter trabalhado algum personagem que foi escalado para outro dublador?
Guilherme Briggs: Eu sempre quis dublar o Jim Carrey. A maioria de seus filmes foram feitos brilhantemente pelo Marco Ribeiro, a quem admiro muito. Mais recentemente pude ter a oportunidade de
Daniel Neto: Diga um ou mais dubladores falecidos que você gostaria de poder ouvir e trabalhar novamente.
Guilherme Briggs: Eu adoraria ter conhecido o Nelson Batista (Jerry Lewis), Paulo Pinheiro (Don Drácula), a dubladora da Feiticeira (de São Paulo), Marcos Miranda (Dean Martin e William Shatner), Bruno Neto (a voz do Agente 86), queria ter conversado mais com o Garcia Neto (pai do Garcia Júnior), com o Cleonir (dos Santos) e o André Filho… Poder rever o querido Paulo Flores… Puxa, são tantos!!… Dá um aperto no coração pensar nesses queridos colegas que se foram…
Daniel Neto: Podemos lhe “conhecer” através de alguma foto que você possa divulgar?
Guilherme Briggs: Claro, minhas fotos podem servir para matar mosquito, afugentar pragas do Egito e servir como portal inter-dimensional para invasões alienígenas. Bom, essa última parte eu não posso explicar, pois é confidencial. (risos)
Daniel Neto: Deixe uma mensagem aos fãs de dublagem.
Guilherme Briggs: Muito obrigado por gostarem e cultivarem a dublagem brasileira com tanto carinho. Estamos assim, preservando nossa língua, nossa cultura e espírito. Um grande beijo e abraço à todos e visitem o meu site: www.guilhermebriggs.kit.net