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Marco Ribeiro, uma voz que não enferruja

5, May, 2008 4 comentários

Mais uma vez, o jornal O Globo deu destaque à dublagem brasileira, por méritos do jornalista Rodrigo Fonseca. Ele fez uma entrevista com o dublador Marco Ribeiro, responsável pela voz do ator Robert Downey Jr. para o filme “Homem de Ferro” que estreou na última sexta-feira, dia 02 de maio.

Marco Ribeiro, uma voz que não enferruja

O ator e dublador Marco Ribeiro Das 500 cópias de “Homem de Ferro” lançadas no Brasil, 150 chegam com uma caprichada versão brasileira. Parte significativa desse capricho garantido à dublagem se deve ao trabalho do carioca Marco Ribeiro. Aos 37 anos, ele é um dos atores mais prolíficos do país quando o assunto é emprestar a voz a produções estrangeiras. Ribeiro é o dublador oficial de Tom Hanks, Jim Carrey e Antonio Banderas no Brasil. Robert Downey Jr. deve ser acrescentado com todos os méritos a essa lista de talentos. Basta ouvir os primeiros 20 minutos do filme de Jon Favreau para se ter essa impressão. Assim como Downey Jr. se reinventa artisticamente interprentando o industrial Tony Stark, Marco Ribeiro se recria dublando o ex-junkie.

Nascido e criado nas imediações da Tijuca, de família evangélica, Marco Antonio Ribeiro da Silva é também pastor na Assembléia de Deus. Mas foi como ator que ele fez sua voz circular nacionalmente. Sua estréia na dublagem se deu 1986, quando entrou para o time da Herbert Richers. Começou participando de seriados como “A gata e o rato” e “Combate no Vietnã”. Com o tempo, passou a alcançar papéis maiores e mais densos, por merecimento e perseverança. Sua vitalidade dramática já foi louvada pela crítica várias vezes. Um caso recente que ilustra seu talento é “Horton e o mundo dos Quem”, animação em que ele dubla o serelepe elefantinho que dá título ao longa-metragem. Atualmente, ele também é diretor de um estúdio próprio, a Audionews, que fica na Usina.

A atuação de Ribeiro dublando Robert Downey Jr. se destaca à frente de tudo o que ele fez desde sua estréia profissional. Nesta entrevista, Ribeiro comenta como foi feita a versão nativa de um dos blockbusters mais aguradaddos do ano. A dublagem foi dirigida por Guilherme Briggs (a voz de Buzz Lightyear) e contou com a colaboração de mestres do setor como Julio Chaves, que cede o gogó a Jeff Bridges. Além das nuanças artísticas de seu ofício, Ribeiro comenta questões políticas que hoje complicam a rotina profissional dos dubladores cariocas. Confira o pingue-pongue a seguir:

O GLOBO: Todo dublador é ator. O registro profissional de ator é uma exigência. Mas para além dessa formação prévia, o que um dublador precisa conhecer para interpretar com o máximo de riqueza artística?

MARCO RIBEIRO: É fundamental que um dublador tenha boa leitura. Parece meio óbvio, mas nota-se muita dificuldade nesta área. Também acho fundamental, em qualquer profissão, o amor ao trabalho. Também é importante bons reflexos, um bom nível de cultura geral e, pelo menos, alguma noção de inglês. Este último ítem pode ajudar muito e ser fundamental em certos aspectos. Também seria interessante que o dublador soubesse cantar, pois assim ele abriria mais o campo de trabalho e poderia ter mais possibilidades para ser escalado no caso de desenhos com canções. Habilidades de mudar a voz e brincar com a voz também contam muito. Quanto mais versátil um dublador for, mais chances ele terá. Outras questões importantes: humildade e jogo de cintura. Sem estas duas virtudes é difícl sobreviver na dublagem.

O GLOBO: Você é a voz oficial de Tom Hanks no Brasil. Hanks é um dos atores mais prestigiados de Hollywood por seu talento dramático. Qual é o grau de exigência dramática que um ator de talento como Hanks impõe a um dublador? Quais são as dificuldades de se dublar um canastrão?

RIBEIRO: Já dublei muitos canastrões. Fiz vários galãs de novela mexicana, filmes de lutas marciais… Não escolhemos papel. Dublamos de tudo um pouco. Mas, com certeza, quando dublamos bons atores, somos mais exigidos. Crescemos muito nessas horas. É bom fazer personagens mais complexos, com nuanças de interpretação. Isso ajuda no crescimento do ator como dublador. Fiz um filme do Tom Hanks, “Terminal”, no qual tive que falar búlgaro. Com a assistência de uma pessoa do próprio consulado e com a direção de Marlene Costa (uma das maiores dubladoras do país), conseguimos realizar um lindo trabalho de dublagem. Mas temos que dançar conforme a música. Tenho ouvido muita besteira por aí do tipo “a dublagem não deve melhorar o original”. Isso é uma grande bobagem. Já vi vários e vários trabalhos que só se tornaram assistíveis após a dublagem. Tudo depende da competência do diretor em escalar corretamente e fazer o dever de casa corretamente.

O GLOBO: Que dubladores te serviram como parâmetro de qualidade no início da tua trajetória? Que revelações da dublagem você destacaria hoje?

RIBEIRO: Eu dublo há 22 anos e dirijo dublagens há 16. Quando iniciei, em 1986, era tudo muito diferente. Havia um amor maior, um respeito maior pelos profissionais e também havia dubladores maravilhosos. Seria injusto esquecer de alguém. Existiam atores fantásticos como Magalhães Graça, Marcus Miranda, André Filho, Newton DaMatta, Andre Luiz, Milton Luiz, Francisco Turelli, Paulo Flores, Paulo Pinheiro, Dario Lourenço, Sonia Ferreira, Nely Amaral, Vera Miranda. Muita gente boa se foi. Mas muita gente boa ainda está aqui, como Orlando Drumond, Miguel Rosemberg, Jomery Pozzoli. Hoje também temos talentos como Guilherme Briggs, Alexandre Moreno, Adriana Torres, Matheus Perrise, Yan Gesteira, Miriam Ficher, Mauro Ramos.

O GLOBO: Robert Downey Jr., o Tony Stark do filme, é um exemplo similar a Tom Hanks em matéria de talento. O que você poderia comentar da composição de Stark na dublagem? Que exigências o personagem te impôs, em função do talento dramático de Downey Jr.?

RIBEIRO: Robert tem uma maneira muito peculiar de interpretar. Ele é um excelente ator da linha do Actor’s Studio. É bem natural. Então, na dublagem, junto com o Guilherme Briggs, procuramos seguir esta linha descontraida de interpretação. Ele fala muito rápido, jogando as falas. É um desafio tentar ser o mais natural possível, mantendo o sincronismo e a dicção nas falas rápidas. Deu trabalho, mas foi.

O GLOBO: Qual é o peso de se trabalhar com um diretor de dublagem com o dinamismo de Guilherme Briggs na dublagem de um blockbuster como “Homem de Ferro”?

RIBEIRO: Sem rasgar seda, é muito bom trabalhar com o brigs, alguém que eu, praticamente, vi chegando na dublagem e que cresceu de uma maneira fantástica, sem deixar que o sucesso subisse à cabeça. Ele nos deixa muito à vontade, sem paranóias interpretativas.

O GLOBO: A que você atribui o preconceito contra a dublagem que costuma existir por parte de uma certa intelectualidade que repudia filmes em versão brasilera? Qque poderia ser feito para reverter o repúdio à dublagem?

RIBEIRO: Moralizar a profissão é um caminho. Nos últimos anos, a dublagem foi inundada por muita gente que só quer ganhar dinheiro e que não está nem aí para a qualidade artística. Há pessas que trabalham de má vontade. Isso se dá tanto com os atores quanto com os empresários de dublagem. Muitos criticam sem saber. Sem conhecimento, abrem a boca só para ouvir o som da própria voz. Se pegarmos alguns filmes dublados em DVD, dá vontade de chorar. São empresários aventureiros da dublagem, que oferecem preços baixíssimos aos clientes. Assim, a qualidade também vai por água abaixo. Escalações malfeitas, vozes terríveis, interpretações sofríveis, feitas por pseudo-atores que se vendem aos acordos mais baratos e fazem trabalhos péssimos. Eu nem os chamaria de atores, mas de oportunistas.

O GLOBO: Como você avalia o boom da dublagem paulista. Do ponto de vista estético, o trabalho de dublagem feito em São Paulo costuma ser alvo de muitas críticas. A maioria dos comentários depreciativos contra o trabalhos dos dubladores paulistas aponta uma falta de rigor dramático na interpretação, além de erros de sincronia. A dublagem dos tempos da BKS era uma exceção. O mesmo se fala de grandes profissionais ainda em atividade por lá, como o time exemplar que fez as vozes do seriado “Chaves”, que é um marco entre as versões brasileiras. Mas, no dia-a-dia, as queixas contra os filmes dublados em solo paulistano só faz crescer. Estranhamente, o mercado lá parece estar crescendo. O que está acontecendo?

RIBEIRO: O que acontece em São Paulo com relação à dublagem é surreal. Os órgãos competentes deveriam atentar mais para esta situação. Tenho alguns colegas lá. E, em maioria, os dubladores são bons atores, honestos e têm bom caráter. Mas existe uma minoria que é terrível e que faz acordos e pacotes com empresas de dublagem que usam péssimos profissionais para baratear de forma desonesta os valores da dublagem para os clientes. Infelizmente, o Sated (Sindicato dos Atores e Técnicos em Espetáculos de Diversões), em São Paulo, não é tão atuante quanto o Sated do Rio. Em São Paulo, algumas empresas não cumprem o acordo coletivo de trabalho, pagam aos atores valores inferiores aos do Rio de Janeiro, não usam nota contratual, trabalham com profissionais sem registro etc. E nada acontece.

O GLOBO: É daí que tem vindo a alegações de baixa qualidade artística nas dublagens feitas em São Paulo?

RIBEIRO: Algumas vezes, aluguei DVDs na locadora e, simplesmente, não consegui assistir aos filmes na versão brasileira, pois eles eram dublados em São Paulo com péssimas vozes, escalações terríveis, interpretações sofríveis e qualidade técnica abaixo da crítica. Penso que algumas distribuidoras de filmes e emissoras de TV deveriam atentar mais para a qualidade dos filmes que vendem e exibem, porque muitas dublagens de péssima qualidade estão sendo realizadas em empresas que não cumprem em nada as leis trabalhistas e as demais obrigações que deveriam ser cumpridas. Por isso, elas fazem preços muito abaixo do mercado, praticando o chamado dumping. Isso é uma vergonha, pois, no Rio, as empresas de dublagem têm que cumprir várias exigências do acordo coletivo de trabalho e, por isso, muitos trabahos estão indo para São Paulo. Os filmes são dublados lá não por que em São Paulo eles tenham mais qualidade do que nós, mas, simplesmente, porque, no Rio, os dubladores e empresas cumprem as regras estabelecidas. Aqui, cumprem-se acordos e, em São Paulo, em vários casos, nada disso acontece. Daí, eles podem cobrar preços bem mais baixos, que alguns clientes, inocentemente, pagam, sem saber que a qualidade do seu produto também cai terrivelmente. Não é mais caro dublar no Rio. A diferença é que, aqui, cumprimos as regras estabelecidas, temos bons profissionais, em todos os sentidos e, por isso, podemos dar melhor qualidade aos nossos produtos. Que eles cobrem preços mais adequados à realidade do mercado e vamos disputar somente na qualidade e no serviço prestado. Isso não seria justo?

Categories: Dublagem

Qual o problema com o português?

17, January, 2008 14 comentários
Categories: Dublagem

Homenagens póstumas de 2007

12, December, 2007 4 comentários

Borges de BarrosHelena Samara

Eleu Salvador Nilton Valério

Faleceu hoje o talentosíssimo ator e dublador Borges de Barros, dono da voz do personagem Dr. Zachary Smith da série “Perdidos no Espaço” e Moe de “Os Três Patetas”. Um de seus personagens principais, conhecido pelo grande público brasileiro, foi o mendigo milionário do bordão “Nobre colega”, apresentado na Praça da Alegria pelo Manoel de Nóbrega e posteriormente em A Praça é Nossa pelo Carlos Alberto de Nóbrega.

Em novembro, nova perda na dublagem: Helena Samara, que dublava a personagem Wilma Flintstone, do desenho “Os Flintstones”; Endora, do seriado “A Feiticeira”; Maureen Robinson, no seriado “Perdidos no Espaço” e Dona Clotilde (a conhecida Bruxa do 71), do seriado Chaves.

Perda igualmente irreparável em agosto foi a do versátil ator, dublador e compositor Eleu Salvador, que dublou com maestria o Professor Emmet Brown em toda a trilogia “De volta para o futuro”; o chefe Kurata no seriado japonês “Spectreman”, além de diversos personagens secundários do desenho “Pica-pau”.

Também partiu em setembro o magnífico Nilton Valério, que dublou personagens da infância de muita gente: Falcão Azul, do desenho “Bionicão”; Batman, no desenho “Super Amigos” e dublou frequentemente o ator Michael Keaton (filmes “Batman” 1 e 2, “Os fantasmas se divertem – Beetlejuice”).

Em março, a voz encantadora de Neuza Tavares calou-se para sempre. Ela era a dubladora de de atrizes como Faye Dunaway, Kay Kendall, Doris Day, Cheryl Ladd e tantas outras. Em desenhos animados, sua voz se fez presente na personagem Diabolyn, do desenho “Cavalo de Fogo” e Sra. Pacman, do desenho “Pacman” (Comilão, no Brasil).

Descansem em paz e que suas memórias e obras, dubladas ou não, sejam sempre lembradas com honra e dignidade que merecem!

Categories: Dublagem

Halo 3: Equipe de Dublagem

28, September, 2007 2 comentários

Consegui encontrar na internet a lista de dubladores que foram convocados para participar da dublagem do jogo Halo 3, para plataforma Xbox 360 da Microsoft. Confira!

EQUIPE DE TRADUÇÃO E DUBLAGEM EM PORTUGUÊS

Estúdios Double Sound

- Gerente Geral: Luiz Guilherme d´Orey
- Gerente de Produção: Maria Emilia Rey

DUBLAGEM

- Diretor de Dublagem: Marcelo Coutinho

- Técnicos de Som:
Gustavo Paes
Levy Cunha
Wilson de Freitas

- Técnicos de Edição:
Levy Cunha
Marcelo Calvário

- Gerente de Estúdio:
Ricardo Raposo

- Tradutores:
Belva Redling
Junia Vaz
Luciana Aché
Maria Emilia Rey
Max Schmoll
Robson Richers
Vera Vitis

ATORES (voz dublada)

Elenco de Cinematique

- MASTER CHIEF: Sérgio Fortuna
- CORTANA: Christiane Louise
- SGTO. JOHNSON: Isaac Schneider
- CMDTE. MIRANDA KEYES: Iara Riça
- LORD HOOD: Eduardo Borgerth
- ÁRBITRO: José Santana
- PROPHET OF TRUTH: Alfredo Martins
- GRAVEMIND: Leonel Abrantes
- SHIPMASTER: Pietro Mário
- 343 GUILTY SPARK: Gustavo Nader
- LOCUTOR MULTIJOGADOR: Sidney Ferreira

Elenco de Inteligência Artificial

- SARGENTOS:
Hércules Fernando
Reginaldo Primo

- FUZILEIROS:
Adriana Torres
Angélica Borges
Anderson Coutinho
Cláudio Galvan
Flávio Back
Marcelo Garcia
Márcia Coutinho
Philippe Maia

- ELITES:
Júlio Chaves
Ricardo Telles

- CIVIS:
José Leonardo
Márcio Chaves
Mariana Torres

- GRUNTS:
Carlos Gesteira
Duda Espinosa
Luiz Sérgio
Sérgio Stern

- BRUTE CHIEFTAIN:
Jorge Vasconcelos

- BRUTES:
Bruno Rocha
Luis Carlos Persy
Maurício Berger

- VOZES ADICIONAIS:
Alexandre Moreno
Duda Espinosa
Fernanda Fernandes
Márcia Morelli
Marcelo Coutinho

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Categories: Dublagem

Filmes dublados em alta

25, July, 2007 1 comentário

Respeito quem gosta de legendas (coisa que infelizmente não é recíproca), mas sim, senhoras e senhores: a notícia é essa mesma. E é com prazer que anuncio esse conteúdo. Bem diferente do que os legendeiros acham, a dublagem brasileira está em alta. E quem afirma é o conceituado portal “Filme B”.

Cresce demanda por cópias dubladas
por Pedro Butcher

Apesar de ainda não existirem estatísticas precisas, quem observa de perto o mercado de cinema no Brasil vem notando um aumento significativo no lançamento de filmes americanos com cópias dubladas. E não se trata, apenas, das animações voltadas principalmente para o público infantil. Títulos que têm como público alvo o adolescente e o jovem adulto também têm adotado a versão falada em português.

Esta semana, por exemplo, Transformers entrou em cartaz com 530 cópias: 53% dubladas e 47% legendadas. No primeiro fim de semana de agosto, Duro de matar 4.0 estréia com cerca de 370 cópias, sendo 15% dubladas.

César Silva, diretor geral da Paramount Pictures Brasil, distribuidora de Transformers, conta que deixou cada exibidor escolher entre a cópia dublada e a legendada, de acordo com o perfil de seus cinemas, e acabou se surpreendendo com a grande quantidade de pedidos pela versão em português: “Conversei com vários exibidores, discutimos caso a caso, e, nas salas localizadas no interior e em áreas populares, a preferência recaiu sobre as cópias dubladas”. No dia 3 de agosto, César lança A volta do todo poderoso com metade das 200 cópias em versão dublada – “mesmo estando fora das férias”.

Números revelam preferência do público do interior

Um dos exibidores que optaram majoritariamentente pela versão dublada de Transformers foi João José Passos Neto, do grupo Moviecom. Localizado em Botucatu, o grupo tem mais de 90 salas em nove estados – a maior parte no interior de São Paulo. “Realmente, tivemos uma surpresa esse ano”, diz Neto. “Em várias posições, a versão dublada de Homem-aranha 3, Piratas do Caribe 3 e Quarteto Fantástico 2 funcionou bem melhor que a legendada”.

Neto apresenta alguns números, compilados até o dia 12 de julho. No cinema do Castanheira Shopping, em Belém (PA), por exemplo, a versão legendada de Homem-aranha 3 atraiu 14.130 espectadores, enquanto a versão dublada teve público 50% superior (21.139). Com um detalhe: o complexo estava exibindo duas cópias legendadas e uma dublada.

O mesmo valeu para Piratas do Caribe 3: no mesmo complexo, até a mesma data, as duas cópias legendadas venderam 12.463 ingressos, enquanto a única cópia dublada teve público de 14.324. No cinema do Penha Shopping, em São Paulo, a versão falada em português de Homem-aranha 3 fez quase 80% do público do período, e a cópia legendada, 20%. “No caso do nosso circuito, apenas nos cinemas Alameda, em Juiz de Fora, Jaruaguá, em Araraquara, e São Pedro, em Belém, as cópias legendadas foram mais fortes. Em todo o resto, ganharam as dubladas”.

Ricardo Szperling: “É uma tendência real”

Ricardo Szperling, programador da Cinemark, confirma o aumento da demanda por cópias dubladas. “Eu diria que é uma tendência real. Gosto da idéia de aumentarmos essa oferta, pois a cópia dublada tem mais chance de atrair um espectador que, hoje, não está indo ao cinema. Acho que só não fazemos mais versões dubladas pelo custo adicional”, avalia.

Ricardo dá como exemplo o desempenho de Harry Potter 5 nos complexos da rede em Interlagos e Aricanduva, ambos em São Paulo. No cinema de Interlagos, a única cópia legendada recebeu 448 espectadores em um fim de semana, enquanto as quatro cópias dubladas venderam 5,9 mil ingressos (1,4 mil por cópia). No complexo de Aricanduva, o mesmo filme fez, com cinco cópias dubladas, 9,9 mil espectadores, enquanto a cópia legendada atraiu 1,2 mil pessoas. “Ainda que o último Harry Potter tenha entrado nas férias, está evidente a preferência do público destes cinemas pelas cópias dubladas. Isso também se aplica em outros cinemas nossos localizados em áreas com forte perfil popular, tais como Praia Grande, Taguatinga, Canoas, Jacareí, São José dos Campos, Santo André, Carioca (RJ), SP Market, Central Plaza, Shopping D, Center Norte, Tatuapé, Aracaju, Natal, Manaus, Campo Grande e Ribeirão Preto. Nessas praças, o desempenho dos últimos filmes live action como Homem Aranha 3 e Piratas do Caribe 3 (ambos fora das férias) foi equivalente ou superior nas cópias dubladas. A informação que nossos gerentes recebem do público desses cinemas é que o cliente gosta da comodidade da versão dublada. Além disso, eles também citam que, com a cópia dublada, podem prestar mais atenção nas cenas do filme, tendo assim uma experiência mais agradável”, explica Ricardo.

João José Passos Neto concorda e aponta três motivos para essa tendência: a melhoria na qualidade dos sons dos cinemas, a melhoria técnica da própria dublagem, e o hábito do público de ver filmes na TV e em DVD, que agora oferece a versão dublada com mais facilidade que o VHS.

“É um dos caminhos para se popularizar mais o cinema e trazer para as salas um público que está mais acostumado a ver filmes dublados na TV e em DVD”, concorda César Silva. Ele lembra também o caso de As férias de Mr. Bean, que estreou com 95 cópias dubladas e 45 legendadas. “O plano original era lançar exclusivamente a versão legendada, mas, por orientação do estúdio, que tinha o objetivo de ampliar o público alvo, lançamos também cópias dubladas, e elas funcionaram muito bem”.

Custo da dublagem sai por pelo menos R$ 70 mil

Patricia Kamitsuji, da Fox, explica que esse tipo de lançamento não se aplica a qualquer título. “O filme tem que ter um apelo, uma marca conhecida, ou não vale a pena”. Os custos de uma versão dublada, sem o chamado “talent” (atores conhecidos fazendo as vozes principais) ou canções, sai por R$ 70 mil. “Antes, só os filmes livres mereciam esse investimento. Agora, filmes de 10, 12 e até 14 anos também. Na verdade esse é um investimento de médio prazo, pois esperamos que a platéia que assiste a filmes dublados passe a freqüentar mais os cinemas”.

No caso de Duro de matar, por exemplo, a decisão de estrear o filme também com cópias dubladas (serão cerca de 50) aumentou o tamanho do lançamento do filme. “A gente adicionou, não substituiu. Tivemos, portanto, um custo adicional de cópias, na tentativa de incluir mais público. Cada vez mais, no multiplex, é importante oferecer as duas versões do filme”.

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