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Arquivo da Categoria ‘Dublagem’

Jorge Vasconcellos

26, December, 2008 7 comentários

Prezados e prezadas, senhoras e senhores, meninos e meninas, boa tarde.

Depois de muito tempo, finalmente volto a colocar na galeria mais um dublador. Apresento a vocês o Jorge Vasconcellos, ator, dublador e diretor de dublagem. Com sua voz versátil, consegue dar emoção aos mais diversos personagens de desenhos animados, filmes e séries de TV. Conheçam mais sobre seu trabalho passando o mouse sobre a imagem abaixo.


Jorge Vasconcellos é ator, dublador e diretor de dublagem Jorge Vasconcellos dublou o personagem Bone Saw, interpretado pelo ator Randy Savage, no filme Spiderman Na trilogia XMen, Jorge Vasconcellos dublou o Dente-de-Sabre, interpretado pelo ator Tyler Mane Jorge Vasconcellos dublou o Capitão Nemo no filme A Liga Extraordinária, interpretado pelo ator Neseeruddin Shah No filme Armageddon, Jorge Vasconcellos dublou o General Kimsey, interpretado pelo ator Keyth David O atrapalhado repórter Chet Ubetcha, do desenho Padrinhos Mágicos, foi dublado pelo Jorge Vasconcellos O chefe de Eldorado, do filme O Caminho para Eldorado, foi dublado pelo Jorge Vasconcellos Jorge Vasconcellos dublou o Espio, do desenho Sonic X Na série animada para TV do desenho Tarzan, Jorge Vasconcellos dublou o gorila Tublat Jorge Vasconcellos dublou o espertalhão e engraçado Bundefora, na série de desenhos A Vaca e o Frango e Eu sou o máximo O baiacu Bolota, do filme Procurando Nemo, ganhou a voz do Jorge Vasconcellos Jorge Vasconcellos dublou o forte e desengonçado Krunk, do desenho Amigos da Justiça Jorge Vasconcellos é a voz do Macaco Loco, do desenho As Meninas Superpoderosas Jorge Vasconcellos dublou o gorila Grodd, no desenho Liga da Justiça Mais um gorila dublado pelo Jorge Vasconcellos: Monsieur Mallah em Jovens Titãs No filme Vida de Inseto, o besouro Dim ganhou a voz do Jorge Vasconcellos Quem não se lembra do Dr. Jumba Jukiba, dublado pelo Jorge Vasconcellos, do filme Lilo e Stitch?

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007 dublado!

5, November, 2008 Sem comentários

Matéria publicada no site de Cinema & DVD do Terra, sobre a dublagem do novo filme de James Bond. Divirtam-se!

Terra Cinema & DVD: Pela 1ª vez, filme de 007 terá cópias dubladas nos cinemas

A estréia de Quantum of Solace no Brasil virá com uma iniciativa inédita da Columbia, que distribui o filme no País. Pela primeira vez uma trama de 007 terá cópias dubladas nos cinemas, tentando atrair uma nova parcela do público, que não gosta de legendas.

A dublagem de Quantum of Solace também é marcada por outra inovação. Os próprios artistas que fizeram parte dela dublam cenas em que os personagens falam outras línguas além do inglês. Em entrevista ao Terra, Alexandre Moreno, dublador do vilão Dominic Greene, disse que a intenção era que ninguém percebesse que aquele filme não pertencia a sua língua original.

“Não é comum fazermos isso, mas o espectador toma um susto quando vê os personagens dizendo coisas com outra voz, a original. Nos musicais isso é muito comum. Você tem um personagem dublado que começa a cantar em inglês”, ressalta. “O dublador se sente muito inseguro em falar uma língua que não é sua, mas neste caso o cliente (a Columbia) solicitou que fosse o mais real possível.”

Garcia Jr., o dublador de James Bond, aproveitou a divulgação do filme para alfinetar os fãs que reclamarão do número de cópias dubladas “ainda não divulgadas” que estarão disponíveis nos cinemas brasileiro. “Eu não sou contra a legenda, mas o que as pessoas não percebem é que o filme original também é dublado. Nas cenas de ação, não tem como o Daniel Craig ou seu dublê saírem pulando com um microfone de lapela grudado na camisa enquanto falam. O público médio e honesto não tem vergonha de dizer que gosta de dublagem. Os que defendem a legenda acima de tudo são os pseudo-intelectuais. Num filme como esse, você quase não consegue assistir porque enquanto a ação rola, as pessoas estão lendo as legendas”, defende.

O núcleo principal dos dubladores do filme, composto por Garcia jr. (Bond), Alexandre Moreno (Dominic) e Silvia Goiabeira (Camille) – foi escolhido a dedo pelos executivos da Columbia logo depois que o filme ficou pronto. A idéia da empresa é ampliar a possibilidade de mostrar filmes em língua portuguesa no Brasil, seguindo uma tendência que já é consolidada em países como França e Itália, onde os filmes legendados são uma raridade.

Garcia, que não participa de dublagens marcantes desde 1994, deixou a carreira para ser diretor artístico da área na Disney, confessa que ficou tenso com o papel, especialmente porque o Bond anterior, de Cassino Royale – havia sido dublado por outro ator. “Ele é um cara frio, calculista. No momento que estamos fazendo aquilo, tentamos conseguir o melhor possível, mas é sempre o dublador que está ali”, ressalta.

A atriz Silvia Goiabeira disse que tentou se enquadrar o máximo possível à interpretação de Olga Kurylenko, a Bond Girl. “O cliente fez um pedido e temos que ser fiéis. Aquilo é um produto pronto, uma obra que não podemos mexer”. E minimiza as dificuldades: “Para mim o mais difícil mesmo é falar algo pequeno e relevante. Quando uma frase ou palavra diz tudo. Às vezes fazemos cenas dramáticas longas e temos dificuldade em adaptar uma fala de poucos segundos dentro do filme.”

Apesar de quase discursar contra a legenda, Garcia Jr. admite que por uma questão de bom senso muitos xingamentos e outros palavreados são suavizados na versão dublada, o que não acontece na versão original. “Eu acho que quando o filme vai para o cinema, podemos fazer a dublagem sem cortes. Mas é difícil pensar que quando ele chega numa TV aberta, qualquer pessoa pode zapear o controle remoto e se deparar com uma palavra de baixo calão. Eu fico pensando numa senhorinha que está na frente da televisão e de repente se depara com uma coisa dessas. É tenso”, reclama.

Quantum of Solace estréia nos cinemas brasileiros em 14 de dezembro.

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Espectador de cinema prefere filme dublado

29, August, 2008 8 comentários

Na reportagem de hoje, na Folha de São Paulo, mostrou-se o resultado de uma pesquisa que aponta maior preferência para filmes dublados. Uma boa notícia para os amantes dessa arte que tem sido mais valorizada nos últimos anos.

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A gargalhada dublada

5, August, 2008 5 comentários

Mais uma vez, o jornalista Rodrigo Fonseca do Globo Online mostra que dá o devido reconhecimento e grandes oportunidades aos dubladores brasileiros. Dessa vez, ele entrevistou o dublador Márcio Simões sobre o seu trabalho no filme Batman – O Cavaleiro das Trevas, no qual empresta sua voz ao personagem Coringa, interpretado pelo falecido ator Heath Ledger.

O Globo Online: A gargalhada dublada

Neste momento em que “Batman – O Cavaleiro das Trevas” se firma entre as dez maiores bilheterias da história de Hollywood, a versão brasileira do filme, dirigida por Pádua Moreira, impressiona pela sua seleção de elenco. As atuações de Ettore Zuim (Christian Bale), Hélio Ribeiro (Aaron Eckhart) e Fernanda Fernandes (Maggie Gyllenhaal) trazem a marca de eficiência habitual desses dubladores, que estão entre os melhores de sua profissão. Mas, sob os auspícios da monstruosa atuação de Heath Ledger (1979-2008), é Márcio Simões quem melhor se destaca emprestando seu vozeirão ao Coringa. Na entrevista a seguir, Simões, que é a voz oficial de Samuel L. Jackson e Will Smith no Brasil, comenta como foi seu trabalho no melhor longa-metragem de 2008 de janeiro até agora.

O Globo Online: Heath Ledger (1979-2008) fechou sua vida com uma atuação considerada magistral pela crítica. Coube a você transpor essa “magistralidade” para o português. Qual foi a dificuldade do papel? Que nuanças da voz de Ledger foram mais complexas de reproduzir ou recriar? Houve resistência assim que o filme estreou?

Márcio Simões: Realmente, ele deu um banho de interpretação, o que tornou o trabalho mais atraente pelo desafio. Quando o Pádua, o diretor da Delart responsável pela dublagem do filme, ligou pra mim dizendo que queria que eu fizesse o papel, eu achei que a minha voz não combinaria com a do Heath Ledger, pela idade dele. Eu dublo atores como o Morgan Freeman, Danny Glover, Laurence Fishburne, que têm vozes graves, pesadas, por isso achei que minha voz ficaria pesada demais pra ele. Mas quando comecei a assistir a cópia da dublagem, vi que ele havia feito uma composição de personagem bastante sombria, com uma extensão de voz muito interessante. O mais difícil foi pegar o tom, o espírito do Coringa que ele criou, que não tem nada a ver com os outros criados anteriormente. Não fiquei sabendo de qualquer resistência quanto à dublagem do filme. Pelo contrário. Até agora, só ouvi elogios.

O Globo Online: Os cinemas têm registrado uma proliferação do número de cópias dubladas dos blockbusters que não são voltados para platéias infanto-juvenis. Isso está gerando mais ofertas de trabalho?

Márcio Simões: Sim, porque antes, basicamente, só os desenhos mais importantes passavam dublados no cinema, para atingir o público infanto-juvenil. De alguns anos pra cá, as distribuidoras passaram a fazer lançamentos simultâneos no cinema e em DVD dos blockbusters. Isso gerou não só uma oferta maior de trabalho, como serviu para levar a dublagem a um público ainda maior, facilitando para quem tem dificuldade de acompanhar as legendas, e até para quem não tem. Com a dublagem, é possível assistir ao filme em todos os detalhes, sem perder as melhores cenas olhando para as legendas. Serviu também para mostrar ao público a qualidade do nosso trabalho, que é reconhecido como um dos melhores do mundo pelos próprios distribuidores, mas é criticado por muitos aqui no nosso próprio país.

O Globo Online: A questão dos testes exigidos por algumas distribuidores, mesmo para atores que têm bonecos fixos, está sendo encarada com normalidade ou estranheza? Por quê?

Márcio Simões: Com relação aos testes exigidos pelos distribuidores, como eles são os detentores dos direitos sobre os filmes, eles decidem quem vai dublar os papéis principais. É pena que, em alguns casos, não sejam mantidas as vozes com as quais o público já se acostumou, pois as pessoas acabam se decepcionando com o resultado final. Isso faz com que muitos deixem de assistir aos filmes dublados. Há casos em que o dublador tem que ser substituído. É o que acontece quando ele falece, como aconteceu com o dublador do Bruce Willis, o Newton DaMatta, entre outros. Quando o dublador se desentende com a empresa de dublagem, ou é demitido dela, ou, em casos mais extremos, quando o dublador entra na justiça contra o distribuidor, há a necessidade da substituição da voz do ator. Mas, o que é fato é que o público percebe, fica indignado quando isso acontece e reclama, principalmente pela internet, nos fóruns, no Orkut. Os fãs de animes e mangás são os mais fiéis, pois eles acompanham todos os nossos trabalhos. Eles nos prestigiam e ficam muito chateados com essas mudanças, pois eles, muitas vezes vão assistir ao filme principalmente por causa da dublagem.

O dublador Márcio Simões e seus principais personagens dublados
O dublador Márcio Simões e seus principais personagens dublados

O Globo Online: Você é um dos dubladores mais prolíficos (e elogiados) do país. Que bonecos te trouxeram maior respeitabilidade entre os estúdios de dublagem e entre os fãs?

Márcio Simões: Acho que o papel que mais me trouxe reconhecimento por parte do público, do distribuidor e, principalmente, das crianças foi o Gênio do desenho Aladin. A Disney chegou a me enviar uma carta elogiando meu trabalho. O Gênio foi feito pelo maravilhoso Robin Williams, que deu um show de interpretação e criatividade. Mas a dificuldade do meu trabalho foi ter que reproduzir o que ele fez tão bem, adaptando à nossa realidade, pois as piadas e as imitações que ele faz são de personagens da televisão americana. Nós não temos noção de como seria a voz de, por exemplo, David Letterman ou de Jay Leno, falando em português. Eu tive que tentar imitar personagens brasileiros, adaptar as piadas para que as crianças se identificassem com o personagem. E, pra dificultar ainda mais, ele interpretou e o desenho foi feito depois, aproveitando as expressões faciais dele. Eu não tive essa colher de chá. Tive que mudar de personagens rapidamente e ainda sincronizar as falas com o que ele fez. Já dublei muitos atores importantes em papéis legais. Fica difícil falar de todos. Mas eu curto todos os papéis que eu faço, importantes, secundários, pontas. Eu faço o que gosto e, principalmente, gosto muito do que faço.

O Globo Online: Quais são os entraves para se sobreviver só com dublagem hoje no Brasil?

Márcio Simões: O mercado de dublagem é muito competitivo, e, ao longo dos anos, a categoria foi perdendo poder aquisitivo. Atualmente, recebe-se muito menos do que quando eu comecei, há 22 anos. Hoje em dia você tem que trabalhar muito mais horas por dia para tentar se manter dignamente. É um mercado muito instável, onde se tem períodos de produção farta e períodos de quase nada. Agora, estamos passando por uma das piores fases de que eu me lembro desde que comecei a dublar. Em parte, essa crise foi causada, indiretamente, pela greve dos roteiristas de Hollywood, que atrasou muito a retomada da produção de filmes e séries. Uma outra particularidade da nossa profissão é que, diferentemente de outras profissões, onde quem já trabalha há muito tempo é reconhecido como um excelente profissional por tudo que já fez, e é mais bem remunerado por causa disso, na dublagem todos recebem o mesmo valor. Esse valor é determinado pela nossa tabela de dublagem. Em raros casos, pode-se negociar um cachê diferenciado para um trabalho específico. Em geral, um dublador mais antigo vai receber por hora o mesmo que quem está começando. E, neste período de escassez de trabalho, às vezes quem só faz papéis pequenos, por que está começando na profissão agora, consegue receber até mais do que os antigos, que, às vezes, só são escalados para dublar seus bonecos, seus fixos de série e não os papéis pequenos.

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Dirigindo as vozes de “Wall-E”

28, June, 2008 Sem comentários

Mais uma excelente matéria do Rodrigo Fonseca para o Blog do Bonequinho do Jornal O Globo Online, sobre a direção de dublagem do filme “Wall-E”. Confira na íntegra o texto a seguir:

O Globo Online: Dirigindo as vozes de “Wall-E”

Voz brasileira de Peter Parker, na franquia “Homem-Aranha”, Manolo Rey, um dos mais prolíficos astros das versões brasileiras dos blockbusters hollywoodianos, foi o responsável pela direção de dublagem do encantador “Wall-E”, que estréia no fim de semana (confira outros lançamentos nos cinemas brasileiros). A produção, de contornos poéticos, ganha ainda mais lirismo em sua “encarnação” dublada graças ao esmero de Rey em preservar o tom poético do filme de Andrew Stanton. Rey convocou Cláudio Galvan para recriar os acordes robóticos do construto cibernético que estrela a nova animação da Pixar. A andróide Eva ganhou o gogó da talentosa Sylvia Salustti. O longa-metragem conta ainda com os dubladores Carlos Seidl, Eduardo Borguerth, Carla Pompílio, Guilherme Briggs, Priscila Amorim e Reginaldo Primo.

Com formação teatral no Tablado, onde estudou de 1982 a 1984, Rey estreou como dublador dois anos depois, no elenco vocal de “Os aventureiros do bairro proibido”. Vez por outra, ele pode ser ouvido nos filmes de Leonardo DiCaprio, como acontece em “Prenda-me se for capaz”. Atualmente, ele dirige a versão brasileira de “Zohan – O agente bom de corte”, capitaneando a dublagem de Alexandre Moreno como Andam Sandler. Nesta entrevista, ele explica como é pilotar a adaptação de uma animação da Disney para a língua portuguesa.

A foto de Manolo foi clicada por Ricardo Juarez, dublador brasileiro de Will Ferrell

O GLOBO ONLINE: Por conta de todo o preconceito existente contra a dublagem, existe uma enorme dificuldade entre os leitores de compreender o que significa direção em dublagem. Como é, na prática, o ofício de dirigir uma versão brasileira?

MANOLO REY: A direção consiste em reger atores, como um maestro rege a orquestra. No caso, como os atores de dublagem não vêem o filme antes, o diretor deve passar a idéia exata do que ele quer em cada cena. A escalação é uma etapa muito importante. Um dublador escalado para o papel errado, ainda que seja um papel pequeno, pode prejudicar a qualidade de todo o filme. Isso, sim, gera o preconceito. Vemos muitas escalações equivocadas.

O GLOBO ONLINE: Que parâmetros estéticos são considerados em uma dublagem para uma animação da Disney? Existem termos que devem ser evitados nos diálogos no ato da tradução ou nos improvisos de bancada?

MANOLO REY: Quanto à direção de uma animação da DISNEY, eu diria que o principal é tentar passar o sonho, vender um novo mundo. Lembro que, quando criança, eu lia todas as revistinhas da Disney, como “Tio Patinhas”, “Pato Donald”, “Zé Carioca” e “Almanque Dinsey. Na época, imaginava aquelas cenas, aquelas situações. Assim também funciona a dublagem. Temos que passar a verdade através do sonho. O sonho tem que ser verdadeiro. Evitamos alguns diálogos em função da classificação de cada projeto. Por exemplo, num projeto infantil, não tem nada a ver colocar um termo que tenha conotação sexual. Evitamos todo e qualquer tipo de cacófato, por exemplo: “Me jogar” (que soa como “Mijo gar”). Devemos sempre vigiar todo e qualquer improviso dos dubladores, pois, para aumentar falas, muitos dubladores acrescentam o nome do personagem, e, em algumas cenas, pode ser que os personagens não se conheçam. Isso é um erro.

O GLOBO ONLINE: Como se deu a escolha do elenco de dublagem de “Wall-E”?

MANOLO REY: A escolha de vozes para WALL-E ocorreu bem antes do processo de dublagem. Os testes foram feitos com o Garcia Jr (consagrado dublador de personagens como He-Man, que, atualmente, é diretor de criação da Disney). Ele coordenou todo o projeto. Na época, ele fez testes para dois personagens, o comandante e o piloto automático. Os outros, fui eu que escalei, seguindo critérios meus. Muitas vezes, a animação pode ser mais difícil. Já vi dublador querendo fazer desenho animado com vozes diferentes da sua voz normal. E, no caso de Wall-E, vemos que os personagens têm vozes normais. Só os robôs têm voz diferente. O que quero dizer? Simples, não existe voz de gordo. Mas, às vezes, acontece de um dublador querer fazer um “tipinho”, só porque o personagem é gordo, ou é magro, ou é feio, ou é bonito. Na animação, nem sempre se deve fazer tipo. Na Disney, explora-se a voz normal. Raramente, faz-se tipo. Trabalha-se com a voz normal, que se encaixa no personagem, e passa muito mais verdade. Eu gosto disso na Disney.

O GLOBO ONLINE: Como é o processo de dublagem de animações em relação a filmes com atores. A dificuldade é maior do que em animações como “Wall-E”?

MANOLO REY: Não diria que entre animação e filmes com atores há uma diferença no nível de dificuldade. Há estilos. Já vi animações dificílimas, e filmes com atores reais facílimos. Atualmente, dirijo uma série chamada “Grey’s anatomy”, que considero muito difícil, pois usa termos médicos que nunca são fáceis de falarmos. Falar palavras difíceis, interpretando e sincronizando ao mesmo tempo, é sempre uma dificuldade maior.

O GLOBO ONLINE: Sua voz é associada a personagens jovens, de forte apelo heróico. Que elementos dramáticos da arte de atuar você utiliza como referência na sua interpretação? Existem diferenças entre dublar um grande ator, como Leonardo DiCaprio, e um canastrão?

MANOLO REY: Eu procuro me reciclar sempre. Pelo menos uma vez por ano, eu faço alguma oficina de interpretação, seja para TV ou para teatro. Nos últimos dez anos, fiz 13 oficinas de interpretação para TV com o diretor Ignácio Coqueiro, de quem sou fã. Isso é muito importante para todo ator: estudar. Não devemos parar nunca de estudar e de aprender. Quanto a grandes atores e canastrões, sempre existe uma diferença. Interpretar canastrões sempre é mais difícil, pois, se melhorarmos a interpretação deles, podemos estragar o filme, e, se não melhorarmos, também podemos estragar. Por isso, todo cuidado é pouco. Quanto ao Leonardo DiCaprio, especificamente, eu dublei ele em “Romeu + Julieta”, e foi um prazer sem igual. Dublei um texto de Shakespeare com naturalismo. Assim foi no original. Assim procuramos fazer na dublagem.

O GLOBO ONLINE: Existe uma carência enorme em relação a um memorialismo da dublagem no Brasil. O site Clube Versão Brasileira (http://www.quem.dubla.com.br) tem sido uma alternativa no esforço de se produzir um banco de dados da dublagem nacional. Por que há tanta dificuldade de se criar uma história da dublagem neste país?

MANOLO REY: O site foi criado por mim, Clécio Souto, Mariangela Cantu e Guilherme Briggs, numa tentativa de registrar a memória da dublagem brasileira. Na realidade, eu já havia criado o Clube Versão Brasileira em 1990. Era uma caixa postal, de número 150 ou 151, não lembro com certeza. Publiquei essa caixa postal em várias revistas e jornais. Em pouco mais de três meses, eu recebi mais de mil cartas de pessoas querendo saber sobre os dubladores. Só parei porque começaram a chegar algumas cartas ofendendo, e, como entregava as cartas fechadas aos colegas, acabava ficando numa situação ruim. A dificuldade nem é tão grande assim, é mais uma questão de força de vontade. Vou te dar um bom exemplo. Há colegas que dizem: “Ah, não gosto de ficar registrando meus bonecos (atores estrangeiros). Não esquento com isso”. Mas quando um ator que eles dublam aparece dublado por outro, esses colegas se revoltam. Portanto, o problema todo é de força de vontade. Temos que correr atrás e fazer alguma coisa nós mesmos, sem esperar que todas as empresas de dublagem se reúnam e criem um órgão, como o IMDB (Internet Movie DataBase) para registrar todos os trabalhos. Isso jamais acontecerá.

O GLOBO ONLINE: Que grandes vozes da dublagem foram esquecidas?

MANOLO REY: Tantas e tantas. Vou citar alguns dubladores que já se foram e cujas vozes não ouço mais nas reprises da TV: Paulo Pinheiro, André Luiz, Sonia Ferreira, Nelly Amaral, Garcia Neto, Turelli, Marcos Miranda, Paulo Flores, André Filho, Newton DaMatta, a quem ainda ouvimos de vez em quando, e Alexandre Lillipiani. Há outros que simplesmente abandonaram a profissão, como Ioney (Silva, dublador do personagem Tutubarão) ou Sonia de Moares.

O GLOBO ONLINE: Como você vê o ofício da dublagem hoje neste período em que grandes canais a cabo investem em programações dubladas?

MANOLO REY: A perspectiva seria até boa, não fossem colegas que aceitam qualquer condição de trabalho, ainda que seja inferior às condições estabelecidas a partir de negociações feitas pelo sindicato. Atualmente, dirijo na Delart, e há empresas que cobram um terço do que é cobrado lá. Como conseguem? Simples, diretores, tradutores e dubladores aceitaram trabalhar por menos, e em condições contrárias às estabelecidas por nós. Acredito que a dublagem só vai crescer quando houver maior cobrança quanto à qualidade. O público tem que reclamar do que é ruim e elogiar o que gostou. Claro, isso deve acontecer sem bairrismo e sem preconceitos de qualquer tipo. Quando isso acontecer, teremos filmes e séries com dublagem de qualidade realmente.

Categories: Dublagem, Internet