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Mais sobre dublagem em O Globo

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Os jornalistas Rodrigo Fonseca e Tatiana Contreiras mostram que são realmente jornalistas, mostrando o que muita gente insiste em não enxergar: a dublagem brasileira vem ganhando espaço nas salas de cinema e na sua sala de estar, queira você ou não. Há demanda do público e há muitos profissionais que são altamente qualificados para realizar a tarefa.

Parabéns, Rodrigo e Tatiane. Diferente de seus colegas de profissão, vocês verdadeiramente dão espaço para mostrar os rostos e vozes desses artistas que o grande público (e não a minoria “cegueta de legendas) gosta de ouvir. Parabéns!

Filmes e séries em português ganham espaço e revelam histórias sobre a dublagem no Brasil

Publicada em 08/11/2009 às 09h33m
Tatiana Contreiras e Rodrigo Fonseca

RIO – Passar um dia na sala de espera de de um estúdio de dublagem é o equivalente a encontrar o elenco dos filmes e seriados da televisão numa espécie de desfile. Você fecha os olhos e percebe que Mel Gibson está no mesmo recinto que Peter Parker (conhecido como Homem-Aranha ou na voz do brasileiríssimo Manolo Rey). E, de repente, está se perguntando como Jack conseguiu sair da ilha de “Lost” para estar numa casa da Tijuca. A movimentação no estúdio Delart, sempre cheio de gente, reflete o que o público já percebe: séries e longa-metragens dublados vêm conquistando espaço não só nos cinemas, mas também na programação da TV fechada, a exemplo das emissoras abertas, nas quais versões em português das produções sempre imperaram.

Um bom exemplo é o advento de canais como o Megapix e o Telecine Pipoca. Em outubro de 2004, o Telecine Happy foi substituído pelo Pipoca, dedicado às versões dubladas dos blockbusters da rede, como “Homem de ferro”. Segundo dados do Ibope, comparando o período entre janeiro e setembro do ano de lançamento, com o mesmo período em 2009, o canal teve um aumento de 248% na audiência. E o recordista de público na TV paga, de acordo com a pesquisa, é justamente um filme dublado: “A múmia – Tumba do Imperador Dragão”.

- Espero que a tecnologia seja empregada para termos o grande prazer da escolha do que queremos assistir: se dublado, legendado, ou no original, sem legendas – avalia Guilherme Briggs, um dos dubladores e diretores mais conhecidos do mercado e responsável, entre outros personagens, pela voz de Buzz Lightyear em “Toy Story”, e de Jim Carrey no ainda inédito “Os fantasmas de Scrooge”. – Devemos levar em conta que os canais que exibem filmes dublados estão com uma audiência considerável. E no cinema também, onde há cada vez mais longas na versão brasileira, até mesmo filmes adultos.

Sergio de La Riva, vice-presidente dos estúdios Delart, confirma a impressão de Briggs. Ao lado do tradicional Herbert Richers, seu estúdio é um dos mais procurados no Rio, que perdeu o posto de meca da dublagem para São Paulo, onde estúdios com preços mais baratos (e, às vezes, padrão de qualidade inferior) se multiplicaram.

- Neste ano, nos cinemas, filmes como “Exterminador do Futuro 4″ e “Se beber, não case”, que normalmente não seriam dublados, acabaram sendo. As distribuidoras sabem que têm público para isso. Mas são as séries que sustentam os estúdios – conta Sergio.

O processo de dublagem de uma série ou filme não é tão simples quanto parece. Uma dublagem de um longa para a televisão, por exemplo, pode custar à distribuidora, como Fox, Warner e Paramount, até R$ 16 mil. Para o cinema é mais caro: cada filme sai por até R$ 60 mil. Cada ator recebe entre R$ 220 e R$ 250 por hora, mas a tabela varia (para mais) conforme o peso do personagem.

- Recebemos o material das distribuidoras em inglês, e um tradutor especializado em dublagem faz a versão do texto para o português, com uma linguagem mais coloquial. O texto segue para o diretor, que escolhe as vozes que vão ser usadas. Terminada a dublagem, o material segue para a mixagem, e em seguida são adicionados música e efeitos. Para um filme para a televisão ficar pronto, leva-se pelo menos quatro semanas – explica Sergio.

Comuns antigamente, os clãs de dubladores ainda são mais frequentes do que se pensa. Hoje diretora, Marlene Costa ganhou as filhas Fernanda Fernandes e Flávia Saddy como colegas de profissão quando foi escalada para dublar a novela mexicana “Carrossel”. Na falta de crianças para fazer o trabalho, Marlene (sim, a voz da professora Helena) acabou atendendo ao pedido das filhas.

- Daí em diante não pude mais segurar o lado atriz delas. Mas sou exigente. E vivemos algumas situações interessantes, como em “Memórias de uma gueixa”: eu dublei a personagem principal mais velha e Fernanda a dublou jovem – diz Marlene, que não se incomoda com a concorrência dos atores de TV, os chamados “star talents”, convocados para turbinar o elenco de vozes nacionais. – Eles ajudam a divulgar os filmes.

Presidente da Associação Nacional dos Artistas de Dublagem (ANAD), Sumara Louise lembra dos tempos em que a censura era pesada. Hoje, em cenas de sexo ou violência, ainda é de praxe que palavrões sejam trocados por palavras mais leves.

- No passado, censores assistiam ao filme ou cinco episódios de uma série. Tínhamos que trocar todos os termos que envolvessem drogas e sexo, e situações absurdas ocorreram neste período – revela Sumara, que começou sua carreira em 1973 e é a voz de Cybil Sheppard, em “A gata e o rato”.

A série, que elevou Bruce Willis (cujo dublador é o falecido Newton da Matta) ao posto de astro e que tinha Sumara em seu elenco de dubladores, é atualmente exibida pelo canal TCM, mas na versão original e com legendas. Marcelo Tamburri, um dos diretores do TCM, afirma que a dublagem ajudou a popularizar o canal, mas diz que é difícil conseguir certas versões brasileiras.

- Percebemos que alguns estúdios não conservaram a versão dublada de filmes produzidos a partir dos anos 1940 e 1950. Esse problema é mais grave em relação aos seriados – lamenta Tamburri. – No caso de séries e minisséries, a dublagem é ainda mais conhecida pelo público. Vamos reapresentar “Shogun”, com Richard Chamberlain, ano que vem. A dublagem do ator no Brasil ficou conhecida, como vimos pela boa resposta à reapresentação de “Pássaros feridos”.

Com a entrada da Warner Channel no grupo Turner, a expectativa é de que o canal passe a ter mais programas dublados. Enquanto isso, são poucos os que sabem que a voz de Blair Waldorf, em “Gossip girl”, é da cantora Jullie, que tem ainda no currículo canções de filmes infantis como “Barbie e as três mosqueteiras”. Como “Gossip girl” já foi comprada, mas ainda não exibida pelo SBT, a versão de Jullie para Blair só está disponível em DVD.

- Quando falo que dublo a Blair todos adoram – conta Jullie, cujo trabalho atrai fãs para sua carreira de cantora. – Cantei a música-tema de “Bolt – Supercão” e muitas pessoas descobriram meu trabalho por isso.

Categories: Dublagem

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  1. 3, December, 2009 em 22:21 | #1

    Não consigo entender por que o brasileiro é resistente a filmes dublados…

  2. 19, January, 2010 em 17:25 | #2

    Realmente, trabalho de dublador não é fácil, mais é bem divertido se a pessoa gosta mesmo de fazer! Parabéns pela reprotagem. ;)

    O meu preferido é o Briggs, ele tem muita facilidade de mudar a vóz nos personagens. É incrível! O MELHOR DO BRASIL! Continue assim. ;)

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