Texto interessantíssimo, de autoria do dublador Nelson Machado, sobre o que acontece no Brasil em relação à dublagem. Espero que gostem.
Qual o problema com o português?
Nelson Machado (Website)Quando você vai ao teatro assistir a uma peça de Tchekov, você exige que a montagem seja em russo? E se for um Molière, os atores têm que falar em francês, senão você acha que está assistindo a um subproduto? Se você estiver lendo um livro que contenha pensamentos de Confúcio ou a biografia de Mao-Tse-Tung, só serve se vier escrito em caracteres chineses? Um gibi, então, uma leitura leve e inconseqüente, uma coisa só pra descontrair… Só teria valor a saga com a morte, o funeral e a volta do Super-Homem se as bancas de jornais vendessem unicamente a versão americana, em inglês?
Que perguntas mais absurdas, não? Então por quê tanta gente só se sente culta, elegante e inteligente assistindo a filmes em versão original, com legendas? O que há de errado nos filmes dublados?
Sim, porque o que se vê é uma birra constante contra os filmes dublados enfiada na cabeça do público em geral pelos críticos, uma parcela muito pequena da população que se julga no direito de desprezar artistas, técnicos, tradutores, mixadores, sonoplastas, contra-regras e uma infinidade de outros profissionais especializados e de alto gabarito que trabalham diariamente por dez, doze horas para que uma massa enorme de falantes da língua portuguesa em todo o mundo possa assistir a um filme em sua totalidade e não apenas ao pé da tela, lendo legendas.Há falhas na dublagem? Sim, há… Mas a maneira de consertar falhas em alguma coisa é simplesmente eliminar essa coisa? Vamos eliminar os jornais porque eles têm falhas de impressão! Vamos eliminar alunos ruins porque eles falham em seus estudos! Podemos chegar a eliminar um grupo étnico porque cometem a “falha” de não serem da nossa raça! Acho que já vimos esse filme, não?
Qual é o problema com a dublagem? Todos os desenhos são dublados, na fonte. Natalie Wood jamais cantou em West Side Story (Amor, Sublime Amor). Ela foi dublada. E mesmo assim, o filme virou um clássico. Os atores do filme Uma Cilada para Roger Rabbit falavam com suas próprias vozes, mas os personagens desenhados estavam dublados. O Gênio do Aladin foi dublado por Robin Williams. Em poucos filmes foi ouvida a voz real da Cláudia Cardinalle. Os produtores italianos achavam que a voz real dela não era compatível com a imagem. Alguém acha mesmo que as cenas de filmes de ação estão com o som do local, em meio a toda aquela barulheira? Todas as falas são refeitas depois, em estúdio, para que possam estar audíveis e compreensíveis. Há uma infinidade de trabalhos dublados que são empurrados pela crítica como a “MARAVILHOSA VERSÃO ORIGINAL COM LEGENDAS”.
Qual é o problema, então? É com a língua? O brasileiro acha menor assistir a uma obra em sua própria língua? Por que preferir o original, mesmo quando o “original” é dublado?
Na maioria dos países ditos civilizados, aqueles com os quais a gente sonha quando pensa em nosso “terceiromundismo”, a população não aceita filmes que não estejam em sua própria língua. Cada filme entra em circuito normal dublado na língua do país e em uma ou duas salas especiais com a versão original.
Aqui é o inverso. Até um filme que é dirigido ao público infantil, como o REI LEÃO ou o ALADIN, teve mais cópias no original do que dubladas. O MÁSKARA, filme tipicamente juvenil, ficou em cartaz em São Paulo com três cópias dubladas e (pasmem!) TREZE cópias legendadas. Para um filme baseado em efeitos visuais, alguém pagar ingresso para assistir só ao pé da tela e perder várias cenas enquanto está lendo legenda, é um crime.
E o vídeo caseiro, então? Só consigo entender legenda em vídeo se houver algum acordo com fabrica TV com controle remoto. Porque “ler” televisão é muito chato.
Além disso, as legendas ficam tão pequenas que se a gente quiser mesmo ver a cena tem que ficar parando e voltando o filme a toda hora.
A dublagem no Brasil é competente. A dublagem no Brasil é séria. É tida como uma das melhores do mundo. Movimenta milhões de dólares por ano, emprega centenas de profissionais das mais variadas áreas, tradutores, operadores de vídeo, operadores de som, artistas, técnicos em manutenção, sonoplastas, contra-regras, mixadores e indiretamente office-boys, contadores, faxineiros, administradores, digitadores, etc… A dublagem no Brasil é feita com a seriedade e o profissionalismo que qualquer obra de arte exige.
Mas o brasileiro não entra numa locadora e exige a cópia dublada, mesmo que ela exista. Mesmo que ele prefira. Se o filme não for infantil, ele tem vergonha de pedir a versão na língua dele. Por quê? Porque, como disseram uma vez em uma locadora, “filme dublado é pra criança, pra analfabeto e pra velho que não consegue ler”? Não é um argumento absurdo? Tentem dizer isso na França! Tentem dizer isso na Itália ou na Inglaterra!
É preciso mudar essa visão. O filme dublado EM PORTUGUÊS não é pra um tipo específico de público, com faixa etária ou padrão social delimitados. O filme dublado EM PORTUGUÊS é destinado a todo o público de língua portuguesa. Para que ele possa assistir à obra em sua totalidade, não apenas às palavras constantes da legenda. As palavras importantes de um filme são precisamente TODAS. Senão elas não estariam sendo ditas. E as legendas não cobrem todas as palavras. Alguém decidiu que palavras seriam importantes pra entrar na legenda. Com isso decidiu o que não deveria vir a público. Isso não é uma forma de censura?
Quanto às falhas da dublagem, elas diminuiriam com a demanda. As empresas de dublagem cuidariam ainda mais do seu produto se o público estivesse atento ao trabalho. Porque um crítico dizendo em um jornal “pena que esteja dublado” ou “o filme que vai passar hoje na noite na TV está nas locadoras em versão original, prefira” não quer dizer nada para as empresas. Não altera o faturamento. O público pedindo filmes dublados, o público policiando o trabalho, o público exigindo mais e mais qualidade, isso sim, altera. Se você assiste a um filme dublado pelo estúdio A e ele está uma porcaria e depois assiste a um filme feito pelo estúdio B e ele está bom, você passa a preferir os filmes do B. O distribuidor, que não quer ver seu filme empoeirando na prateleira, irá dizer pro estúdio A: “Ou você melhora, ou não tem mais filmes”. O estúdio A se esmera mais, o B fica com medo de perder clientes e tenta fazer melhor ainda. E quem ganha com isso é o público que terá cada vez mais qualidade inserida em seu vídeo-cassete ou DVD.
Não vamos melhorar a cultura do povo mantendo incompreensíveis as obras de arte ou mesmo trabalhos cuja única intenção é o entretenimento. Há muita gente, hoje, que só conhece Monteiro Lobato pela televisão. Pelas produções de Júlio Gouveia na extinta TV Tupi, posteriormente pela Bandeirantes e mais recentemente, já sem a participação dele, pela TV Globo. Muita gente nunca leu Lobato mas teve a oportunidade de conhecer a Emília, a Narizinho, a dona Benta, o Visconde e todo o universo do Sítio do Picapau Amarelo. Um grande número de analfabetos deste país conhece a obra de Monteiro Lobato! Por que não deixá-los conhecer também Hemmingway, Cervantes, Molière, Shakespeare, Pirandelo? Além de analfabetos, eles também têm que permanecer ignorantes quanto ao que se produz em outros países? Por quê?
E, falando em analfabetos, já ficou mais do que evidente, pelas adaptações para TV de autores brasileiros, que os livros estouram em vendas quando uma obra está no ar. Após acompanhar a saga de um velho em luta contra um tubarão, ou os infortúnios de um maluco que se arrebenta ao lutar contra moinhos pensando que são gigantes, após rir com a tragicômica situação de um velho que prende sua suposta noiva em casa ou após sofrer a dor de corno de um sujeito que está sendo envenenado contra sua mulher por um amigo fingido, depois de tomar conhecimento dessas histórias que estão em filmes e saber que tudo aquilo veio de livros, não seria engraçado se as pessoas começassem a querer saber ler para poderem conhecer mais personagens criados pelos autores cujos nomes são citados em voz alta e clara por um narrador que fala em português na abertura do filme dublado? Já se pensou em investir no estímulo ao analfabeto em vez do castigo e da condenação à ignorância?
Não se melhora a cultura de um povo mantendo-o sob as rédeas culturais de outros povos. E não são os filmes estrangeiros, em si, que nos dominam e nos aculturam. É o idioma! Mesmo os analfabetos falam em RAP, em FUNK e se chamam de BROTHER. Nenhum analfabeto deixou de ser influenciado por cultura estrangeira por não ter visto CIDADÃO KANE, JE VOUS SALUE MARIE ou GINGER E FRED. A influência existe de qualquer maneira. Principalmente pela desvalorização da nossa língua. Principalmente porque os menos cultos, os que tiveram menos oportunidades educacionais, vêem com admiração nossos intelectuais da mídia cultuando tudo o que estiver no chamado “original puro”.
Houve um tempo em que executivos brasileiros tinham negócios, não “business”. Houve um tempo em que estar numa situação aflitiva era estar mal ou numa pior, ninguém ficava numa “bad”. Houve um tempo em que homens e mulheres tinham casos, não “affairs”. Os jovens, mesmo com Beatles, Stones, Presley, Aznavour, Morandi e Makeeba, continuavam dizendo que tudo era “uma brasa”. Gíria sim, mas em português! Hoje estamos deixando nossa língua pra lá. Culpa exclusiva dos filmes não dublados? Não, claro que não. Mas eles colaboram. E a guerra contra o aculturamento tem que ser vencida batalha por batalha. Lugar comum? Chavão? Pode ser. Mas também é verdade.
Exigir que os filmes sejam dublados para exibição em TV, em cinemas, em cópias de vídeo. Como cidadãos brasileiros, fazermos valer nosso direito de podermos assistir a uma obra em sua totalidade, não apenas ao pé da tela. Podermos assistir e entender tudo o que se passa, imagem e som. Sem perdermos nada, nem de um nem de outro. Isso é o que a crítica deveria cobrar.
O crítico sozinho não resolve. Mesmo porque ele só fala mal. E só fala mal de um filme ou dois por mês. Os outros todos, que estavam bons, não são nem citados. Não é elegante… Não é culto… Não é inteligente achar uma dublagem boa.
Mas você acha, não acha? O problema é que você também acha que é chato pedir a cópia dublada. Você não acha que fica chato andar até o outro bar porque este aqui não tinha a sua marca de cigarro, ou porque queria Coca-Cola e só tinha Pepsi ou vice-versa. Mas acha chato, acha menor, acha deselegante não alugar um filme porque a locadora não tem a cópia dublada. Pensa bem… Dito assim, não parece bobo?
A intelectualidade brasileira acha menor exigir a própria língua!
Se isso for verdade, acho que todo mundo devia parar com essa pretensão a intelectual e começar a ser mais brasileiro. Sem xenofobia. É que é mais cômodo… É mais agradável… É mais divertido… E, acredite, mais inteligente, mais culto e mais elegante.
Comentários de Carlos Pimentel Mendes (editor do Jornal Novo Milênio)
Sobre o tema, bem sabem os que me conhecem que concordo plenamente com o que foi dito. Apenas traço alguns paralelos que talvez ajudem a explicar o que ocorre.
O que é ruim costuma, desde o início dos tempos, ser mais alardeado que o bom. Talvez porque o bom é obrigação, é o que achamos ter direito, e assim assimilamos como normal, enquanto o ruim é algo que nos atinge, que não aceitamos, que consideramos anormal, e por isso nos revoltamos. Por isso se diz que cliente satisfeito conta sua satisfação para mais dois ou três, e o insatisfeito espalha seu aborrecimento para mais 17. Não importa se os números sejam esses, vale a idéia em si. E antigamente se dizia que a mais pura das moças, uma vez tendo um pecado seu descoberto, ficava marcada para sempre.
No caso das dublagens, as pessoas se lembram geralmente das falhas - gritantes, em certos casos -, que acabam desmerecendo todo o conjunto. Da mesma forma como culpamos todos os políticos profissionais pelas falhas de alguns, e os jornalistas são responsabilizados coletivamente pela incompetência de uns poucos. Os bons pagam pelos pecadores. Criou-se o mito. Que indiretamente é reforçado - e também o reforça, por sua vez - pelo mito de que brasileiro é incompetente e preguiçoso, de que nossos produtos não prestam. O raciocínio seria simples e válido, não fossem falsas as premissas: Se o produto brasileiro não presta e a dublagem é brasileira, então a dublagem não presta.
A origem dessa inferiorização remonta a quase 500 anos: tudo nesta colônia vinha de ultramar, aqui só se podia - por lei - produzir matéria-prima para exportação, nenhuma indústria era autorizada. Com a abertura dos portos aos ingleses em 1808, novamente a incipiente produção industrial brasileira foi sufocada, desestabilizada para que não tivesse continuidade, fosse incerta etc. Quem conhece a epopéia do coronel Delmiro Gouveia versus Linhas Corrente - já foi tema de filme - sabe a que me refiro.
Quando o Brasil começou a produzir filmes, os interesses estrangeiros (e alguns nacionais, que o pessoal de fora não fez tudo sozinho) trataram de sufocar empresas como Atlântida e Vera Cruz. Como e por quê isso foi feito, é só estudar a história dos estúdios brasileiros para entender. Por muito tempo, só restou no Brasil a produção de filmes de baixo nível, com as raras exceções que confirmam a regra, insuficientes para evitar o estigma que mais uma vez caiu sobre a produção nacional.
Agora, com as dublagens, acontece algo parecido. É o “efeito Tostines” invertido: ruim por não ter mercado, não ter mercado por ser ruim. Falhas no passado foram incorporadas aos rótulos, que agora dá muito trabalho remover. Mesmo que alguém queira realmente fazê-lo.
Não culparia os verdadeiros intelectuais por quererem ver os filmes no original. Eles fazem isso da mesma forma como querem ler os livros no original: os tradutores bem sabem o quanto é difícil fazer uma tradução que preserve todo o “sabor” original da obra. Tradutor, traidor…
Mas, os verdadeiros intelectuais são poucos. Como também são poucos os verdadeiramente ricos por formação. O verdadeiramente rico anda de chinelo vagabundo e nem se importa com isso, pois sabe que sua riqueza não é medida pela ostentação. Aliás, ele não precisa provar a ninguém que é rico. Então, o que mais vemos são os “novos ricos” ostentando suas melancias cravejadas de diamantes no pescoço, para que todos saibam o quanto ricos eles estão. Disse “estão”, não disse “são”.
Então, tudo o que esteja acessível à ralé é indigno de “suas inxelenxias”, pois estas agora fazem parte de uma classe autoproclamada superior, que precisa se reafirmar como tal a todo instante (como classe, não como superior). Tudo tem de contribuir para a delimitação de classes, para a separação entre esses novos ricos e a “ralé”. Como a madame que não tem pejo de dizer que parou de tocar piano porque as teclas estragavam suas unhas quilométricas…
Então, o português acessível à ralé não serve, como não serve a igreja comum (é preciso que o culto seja em idioma estrangeiro), a água comum não serve (só Perrier ou algo mais caro), e qualquer coisa de baixo custo também não serve, pois ter sua posse não conta pontos na distinção de classe, e é indigno alguém da classe “superior” ser encontrado numa situação em que possa ser confundido com a classe “baixa”. Imagine que vergonha passaria a madame se alguém a reconhecesse no meio do povão, na loja de descontos ou em qualquer situação fazendo algo que o mais pobre dos mortais também pudesse fazer!
Esse é o mesmo pessoal que vai à Itália comprar bolsas e sapatos caríssimos e os exibe a todos, até que alguém note a inscrição brasileira na etiqueta ou no solado, e então, imediatamente, o elogiadíssimo produto “importado” passa à condição de lixo, que só pode ser usado pela empregada. Infelizmente, é assim que funciona. O problema não está no produto, mas na mentalidade de quem o usa.
Nossa dublagem, apesar dos problemas que enfrenta, tem condições de ser a melhor do mundo, mas ainda assim enfrenta dois problemas: não existe dublagem que transponha exatos 100% todo o contexto original, pela simples razão da diferença que existe entre duas culturas quaisquer, e então mesmo a melhor dublagem sofre críticas - afinal, é certo dizer dublagem, dobragem ou o quê? Soa estranho dobragem, lembra o verbo dobrar, tanto no sentido de duplicar como de dobrar a esquina. Como ficamos? …. Só para dar um exemplo de como traduzir é um misto de ciência e arte. Toda crítica pode - e costuma - ser instrumentalizada para reforçar um mito negativo. O outro problema é que qualidade custa mais, e se tem gente fazendo em Miami por centavos, por quê pagar mais, se dá para empurrar de qualquer jeito para o público?
Não esperem competência dos empresários: ainda está para ser escrito algum livro sobre a incompetência corporativa. Lembro um exemplo: mesmo se sabendo vinte anos antes do problema chamado “Bug do Milênio”, mesmo as empresas sabendo da chuva de processos que isso poderia causar, Compaq, IBM e todas as gigantes do ramo da informática não quiseram elevar em exatos US$ 0,18 (sim, 18 centavos) o custo de seus computadores de US$ 1.500 a US$ 30 mil. Esses míseros centavos a mais era o quanto custava usar um chip de computador com o formato de data incluíndo quatro dígitos para o ano. Preferiram gastar talvez bem mais do que isso, e até mesmo arriscar o futuro de empresas centenárias (como a IBM) - que poderiam ter naufragado sob uma chuva de processos, se as conseqüências fossem mais graves.
É só um exemplo de como a coisa funciona. Então, se é possível usar dubladores movidos a cueca-cuela, não contem com o uso de dubladores de alto nível. E se é possível fomentar a idéia de que o importante não é entender bem o filme, basta apenas ver as imagens e ouvir os sons e fazer cara de inteligente, então esqueçam até mesmo a dublagem cueca-cuela.
Resumo da ópera. Por um lado, existem mitos que ninguém se dá ao trabalho de conferir e talvez desmentir. E qualquer fragmento de informação que os confirme será aceita sem muita contestação. A dublagem pode ter melhorada, mas as marcas do passado ficaram e qualquer nova marca negativa apenas reforçará a idéia. Por outro lado, existem importantes interesses coniventes com a perpetuação desses mitos. E, permeando todo o processo, envolvendo-o em uma concha de forças mutuamente alimentadoras, existe o mito maior de que nada que é brasileiro presta, a não ser que tenha a bênção estrangeira. Bom lembrar: carnaval, futebol e mulata só ganharam estado de coisa fina depois da bênção estrangeira. Como a cachaça, que ao ser apreciada por estrangeiros deixou de ser bebida de boteco para se elevar à mesma condição do uísque, do vinho francês e da vodka russa…
Precisamos, portanto, fazer com nosso idioma (e com nossas dublagens) um trabalho parecido com o que elevou o nível da nossa cachaça. Se conseguirmos colocar na televisão e nas revistas de fofocas, em espaço nobre, artistas e intelectuais elogiando nosso idioma, mostrando como eles se esforçam para aprender português, verão como em pouquíssimo tempo a turma da praia da Barra, no Rio de Janeiro, estará fazendo o mesmo.
E sabem quando isso vai acontecer? No momento em que a maior parte da população estiver se expressando em inglês e o uso desse idioma já não representar qualquer diferença social para os “novos ricos”… E, ao contrário, ser um dos poucos falantes do português se tornar motivo de distinção para essa turma de macacos deslumbrados…

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Raciocinio totalmente enviezado o das opinioes desse texto… Dublagem nao tem mercado? Caramba, pra começar TODA a programacao da tv aberta nao produzida no Brasil é dublada. E isso fora os DVDs e etc. E\’ extremanente comum, inclusive, a dublagem no DVD ser diferente da dublagem na tv.
E a idéia de que os produtos brasileiros são ruins (principalmente quando comparados aos americanos), não é uma simples \
continuando: não é uma simples idéia, é um fato que sequer admite discussões. Tudo o que exige alguma manufatura ou producao no Brasil, é ruim. Os motivos para isso são vários, a começar pelo baixo poder aquisitivo do brasileiro. Mas o fato é que são ruins mesmo.
[ ] Rubens
O motivo pelo qual o argumento não procede é que, em um filme, o som feito pelo ator original, mesmo que dublando a si mesmo, faz parte da obra, faz parte da sua interpretação. Num livro o som é “feito” na sua cabeça e em uma peça de teatro é recriado pelo ator para casar com sua expressão da obra no momento. A dublagem sobrepoe uma atuação sonora externa sobre a obra original. Na minha opinião, prefiro evitar sempre que possível.
Mais um ponto no qual o autor se engana é que dublagens são danosas. Moro atualmente na Suíça, onde, realmente, os filems são lançados em alemão dublado. Isto é péssimo. Estou sem poder ir aos cinemas. Se fosse em inglês original com legendas em alemão eu poderia juntar meus conhecimentos de inglês e alemão e entender o filme. Dublado em alemão? Estou condenado a não ver nada aqui.
Creio que o mercado de dublagens vai muito bem sem termos que nos submetermos a sermos obrigados a ver todos os filmes dublados. Ele mesmo fala no texto que este mercado movimenta milhões. Finalmente, não existem também profissionais de legendagem? E eles, não merecem um mercado? E eles, também não têm que se esmerar no correto Português? Legenda ruim é horrível…
Sinto muito, mas, dentro da minha casa e nos cinemas, ainda prefiro a legenda.
Infelizmente vivemos num País onde o que emporta é a aparencia e não a pessoa em si prefiro a,dublagem mesmo que isso interfira um pouco na qualidade do som,mas como bem falado brasileiro gosta do que vem de fora mesmo que o de fora não preste.
Concordo plenamente com uma frase que ouvi do dublador Gilberto Baroli:
“Dublem e legendem TUDO, para que o público tenha SEMPRE, em todos meios possíveis, a oportunidade de escolher como quer ver seu filme, sua série, sua novela ou seu desenho.”
Olááá.
Me chamo Marianna e moro em Florianópolis.
ADORO dublagem e gostaria até de me aprofundar no sentido sendo uma dubladora.
Mas, infelizmente, em Floripa não temos nenhuma escola ou curso sobre o assunto.
Gostaria de saber mais sobre dublagem, onde têm cursos, o que é necessário para ser dublador hoje em dia e como é o mercado de trabalho de dublagem.
Obrigada.
Mari
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Gostei do manifesto, eu adoro filmes e series, mas gosto de assistir sempre que possivel dublados, não tenho vergonha de pedir quando vou na locadora filmes que tenham versão em português, afinal em paises como vocês mesmo coloca desenvolvidos eles não tem interesse em assistir com legendas e sim dublados, a qualidade das versões são na maioria boas mas poderia melhorar, as vezes ainda pego filmes onde a fala do personagem não bate com a expressão do ator, fica bem nitida a falha. Nas series então você acaba perdendo muito pois a legenda resume a fala, você percebe que tem mais mas não tem tradução as vezes você intende mas as vezes não, minhas filhas me criticam, mãe de novo estas series, nós não conseguimos acompanhar a legenda, e também você acaba não vendo nada só lendo.
No meu aparelho da pra tirar a legenda, pra quem gosta do idioma original, poderia também dar essa possibilidade para você assistir dublado assim ficaria bom para todos, tanto pra mim que gosto dublado como pra quem gosta legendado.
Obrigado pelo espaço.