Em vista do quadro da política neste mês de setembro de 2007, com o escândalo “Renan Calheiros” e da prorrogação quase certa da CPMF para 2011, trago mais uma letra do malandro do bem Bezerra da Silva para a reflexão de vocês.
É ladrão que não acaba mais
(Bezerra da Silva)Quando Cabral aqui chegou
E semeou sua semente
Naturalmente começou
A lapidação do ambiente:
Roubaram o ouro, roubaram o pau
Pra ficar legal, ainda tiraram o couro
Do povo dessa terra original
E só deixaram a má semente
Presente de Grego
Que logo se proliferou
E originou a nossa gente[Refrão]
É ladrão que não acaba mais
Tem ladrão que não acaba mais
Você vê ladrão quando olha pra frente
Você vê ladrão quando olha pra trásE, a terra boa, mas o povo continua escravizado
Os direitos são os mesmos
Desde os séculos passados
O marajá, ele só anda engravatado
Não trabalha, não faz nada
Mas ta sempre endinheirado
Se entrar no supermercado… você é roubado!
E se andar despreocupado… você é roubado!
E se pegar o bonde errado… você é roubado!
E também se votar pra deputado… você é roubado!
Tem sempre 171 armando fria
Tem ladrão lá no congresso, na quitanda e padaria
Ladrão que rouba de noite, ladrão que rouba de dia
Dentro da delegacia, ninguém entendia a maior confusão:
O doutor delegado grampeou todo mundo
Porque o ladrão roubou outro ladrão[Refrão]
É ladrão que não acaba mais
Tem ladrão que não acaba mais
Você vê ladrão quando olha pra frente
Você vê ladrão quando olha pra trás
Terra Notícias: Relator deve pedir arquivamento de novo processo
Maria Clara Cabral
Direto de BrasíliaO segundo relatório contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), será apresentado já na semana que vem pelo relator João Pedro (PT-AM). E de acordo com o petista, o parecer deve sugerir a absolvição de Calheiros.
João Pedro confirmou nesta sexta-feira que usou apenas declarações de Calheiros e a reportagem que apresentou as denúncias contra o senador para fazer seu texto. O trabalho é para descobrir se Calheiros fez lobby em órgãos públicos para beneficiar a Schincariol, após um negócio suspeito da empresa de bebidas com seu irmão Olavo Calheiros.
O relator, no entanto, dá indícios de que não acolherá as denúncias ao dizer que o entendimento não só de senadores, mas também do Supremo Tribunal Federal (STF), é de que reportagens jornalísticas não valem como prova.
“Parto da denúncia do Psol. Suscitei também a defesa de Calheiros. Em cima dessas duas peças pretendo tirar minha conclusão”, afirmou. “Essa manifestação (de que matérias não valem como provas) não é apenas dos senadores, mas também do Supremo”, continuou.
João Pedro não descartou a possibilidade de ouvir novas pessoas e fazer outras investigações. Isso, segundo ele, só será feito com o aval dos membros do Conselho de Ética. Apesar de poucos trabalhos, João Pedro descartou que seu relatório seja “inócuo”.
“Me sinto perfeitamente preparado e meu relatório não é menos importante, muito pelo contrário, ele dará um norte aos senadores”, afirmou.
Além desse, já há outro processo contra o presidente do Senado no Conselho de Ética, o que pede investigações para apurar se ele usou laranjas para comprar emissoras de rádios em Alagoas. Há também um outro processo parado na Mesa Diretora, que pede apurações sobre suposto esquema em ministérios comandados pelo PMDB.
Redação Terra
Globo Online: Caso Renan: relembre as denúncias contra o presidente do Senado
Publicada em 07/09/2007 às 20h35m
O Globo Online; O GloboO presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) - Ailton de Freitas / O Globo - Arquivo
RIO - O calvário do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), começou no dia 25 de maio, quando a revista “Veja” publicou reportagem acusando o senador de ter usado recursos do lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, para fazer pagamentos mensais de pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de três anos. Em plenário, Renan fez sua defesa, confessou que teve uma relação fora do casamento e afirmou que pediu a Cláudio Gontijo que apenas intermediasse a ajuda financeira que passou a dar a Mônica. O senador não conseguiu, no entanto, provar que usou recursos próprios para pagar as despesas pessoais. Em seguida, o PSOL decidiu protocolar uma representação contra Renan no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar.
Um dia antes de o processo ser votado no Conselho de Ética, a situação de Renan voltou a se complicar. Reportagem do “Jornal Nacional” levantou a suspeita de que ele usou notas frias para comprovar ganhos com venda de gado. A decisão no Conselho de Ética acabou sendo adiada. Menos de 24 horas depois do surgimento das denúncias, o senador mudou sua versão sobre a origem das notas. Antes, responsabilizara o veterinário Gualter Peixoto pela venda do gado. Depois, passou a sustentar que Zoraide Beltrão, dona de um frigorífico, seria a responsável pelas notas suspeitas. Ouvida pelo “Jornal Nacional”, ela disse que já fez negócios com Renan, mas jamais emitiu recibos.
Perícia realizada pela Polícia Federal (PF) apontou inconsistências em boa parte dos documentos apresentados por Renan para tentar provar que tinha rendimentos agropecuários para cobrir o pagamento de pensão à filha. Os indícios de irregularidades vão desde notas fiscais fora da série até rasuras em registros da venda de bois nas fazendas do senador.
Contra o parlamentar ainda pesa a denúncia de participação numa operação que garantiu à sua família vender uma fábrica de tubaína em Murici (AL) por R$27 milhões para a Schincariol. A empresa tinha problemas financeiros e não valia mais do que R$10 milhões. Reportagem da “Veja” informou que Renan teria atuado em favor da Schincariol no INSS, para impedir que a dívida de R$100 milhões da cervejaria fosse executada, e na Receita Federal, contra multa por sonegação de impostos.
O presidente do Senado e seu irmão, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), ainda são acusados, em um procedimento administrativo instaurado no Ministério Público Federal de Alagoas, de ocultar que são donos de propriedades rurais na região de Murici, terra natal e berço político dos Calheiros. Eles foram denunciados aos procuradores da República pelos primos Antônio Gomes de Vasconcelos e Dimário Cavalcante Calheiros, em depoimentos prestados em junho de 2005. O cartório de Murici, suspeito de participar de esquema de grilagem de terras, está sob intervenção do Tribunal de Justiça de Alagoas.
A terceira denúncia apresentada contra Renan partiu da revista “Veja”, que publicou reportagem que diz que o senador teria comprado um grupo de comunicação em seu estado por meio de laranjas, no valor de R$ 2,6 milhões, e omitido essa transação das autoridades fiscais e eleitorais.
Por último, reportagens publicadas pelas revistas “Veja” e “Época” mostraram que Renan teria participado de um esquema de corrupção e propina em ministérios comandados pelo PMDB. A denúncia também envolveria o ex-presidente do INSS, deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT) e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
Em depoimento à Polícia Civil no ano passado, o advogado Bruno Lins acusou Renan de participar, junto com o lobista Luiz Garcia Coelho, de um esquema para favorecer o banco BMG durante a implantação do sistema de crédito consignado a aposentados e pensionistas. Lins é ex-marido de Flávia Garcia Coelho, filha de Luiz Garcia Coelho e também funcionária do cerimonial de Renan Calheiros. O casal tinha relação pessoal com Renan, que foi padrinho do casamento deles.
O Globo Online: Renan Calheiros é absolvido em sessão secreta do Senado
Publicada em 12/09/2007 às 20h55m
Ilimar Franco, Adriana Vasconcelos e Allan Grip - O Globo; O Globo OnlineO presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deixa a residência oficial ruma à sessão que definirá seu destino político
BRASÍLIA - Em votação secreta, o plenário do Senado absolveu no final da tarde desta quarta-feira o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), da acusação de quebra de decoro parlamentar. Por 40 votos contra a cassação, 35 a favor e seis abstenções, o mandato do senador foi preservado. Ele ainda responde, no entanto, a outras duas representações no Conselho de Ética. Após o resultado, Renan disse que iria para uma igreja rezar, mas foi para a casa da colega Roseana Sarney (PMDB-MA). Antes disso, fez uma rápida visita a seu advogado, Eduardo Ferrão.
Em seguida, o presidente do Senado divulgou uma nota oficial, em que disse que sua absolvição foi “uma vitória da democracia” , e que não guardará mágoa dos senadores que vinham pedindo sua cassação nos últimos meses.
Antes mesmo de começar a sessão secreta, o clima ficou tenso no Senado, quando 13 deputados que tinham conseguido uma liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) para assistir à sessão chegaram ao plenário. Informados que deveriam ir para a tribuna de honra da Casa, eles não aceitaram a determinação e teve início a confusão, com um empurra-empurra entre parlamentares e seguranças. A Mesa do Senado ainda recorreu contra a presença dos deputados, mas foi derrotada por seis votos a quatro. A decisão do Supremo acendeu o debate sobre mudanças no regimento interno da Casa.
Com os ânimos serenados e os deputados devidamente instalados no plenário, a sessão teve início, primeiro com uma curta parte aberta para logo depois passar a ser secreta .
Renan foi o último a discursar aos senadores e, segundo o Blog do Noblat, chegou a intimidar alguns adversários políticos. Ao concluir sua defesa, o presidente do Senado bateu boca com a ex-senadora Heloísa Helena (AL), que participou da sessão como representante da acusação, já que a representação foi protocolada por seu partido, o PSOL. Renan terminou seu discurso dizendo que, se fosse absolvido, não teria mágoa de ninguém e procuraria todos os líderes dos partidos para recompor o ambiente político na Casa, mas provocou Heloísa.
- Não tenho ressentimento nem contra a senadora Heloísa Helena. Se eu quisesse atacá-la, eu tornaria público esse documeno do STF (Supremo Tribunal Federal) que diz que ela deve R$ 980 mil para a Receita Federal. Ela perdeu esse processo em todas as instâncias, é uma sonegadora - disse Renan.
Heloísa Helena reagiu indignada:
- É mentira, é mentira!
- É verdade, está aqui o documento! - respondeu Renan, mostrando o papel.
O presidente do Senado então entregou o documento à Mesa Diretora e prosseguiu:
- Vai lavar a boca com água oxigenada.
- Vai lavar a boca com água sanitária - respondeu Heloísa Helena.
O clima já tinha esquentado um pouco antes. Defendendo a perda de mandato, Demóstenes Torres (DEM-GO) chamou a estratégia de defesa do senador de “burra”, já que o peemedebista teria se auto-incriminado com as provas que apresentou. Irritado, Renan, que passou a maior parte da sessão sentado no lado esquerdo do plenário sem conversar com qualquer parlamentar, rompeu seu silêncio até então e pediu respeito. Em seguida, Demóstenes se desculpou e corrigiu a afirmação:
- Não usarei a expressão popular, portanto. Direi, porém, que sua estratégia foi pouco inteligente - ironizou o oposicionista.
Jornalistas acompanham pela televisão o início da sessão que define o destino político do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)
Desde o início da sessão, sentia-se um clima favorável à absolvição de Renan, de acordo com o relato de parlamentares que deixavam momentaneamente o plenário, entre eles os deputados que conseguiram no STF o direito de acompanhar a votação. Segundo eles, a maioria dos pronunciamentos defendia a preservação do mandato do presidente do Senado.
Francisco Dornelles (PP-RJ), por exemplo, foi um dos que defenderam abertamente a absolvição de Renan. Ele alegou que não havia provas de que o presidente do Senado não arcava com recursos próprios o pagamento da pensão alimentícia para a filha que tem copm a jornalista Monica Veloso.
- Entre as manifestações populares que pedem a cassação do presidente do Senado e a ordem jurídica, fico com a ordem jurídica - disse Francisco Dornelles, de acordo com esse deputado.
Já a líder do PT, Ideli Salvatti (SC), encerrou seu pronunciamento comunicando que a bancada estava liberada. Em grande parte de seu tempo, ela falou sobre a dificuldade e o constrangimento de julgar um colega do Senado.
- Não fui programada para ser juiz - afirmou Ideli.
O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), disse que 12 dos 13 senadores do partido votariam pela cassação. O tucano disse que apenas João Tenório, que é de Alagoas e assumiu a cadeira na condição de suplente do governador Teotonio Vilela, aliado de Renan, estaria liberado para mudar seu voto.
- A absolvição do senador Renan Calheiros seria uma hecatombe política contra o Senado - disse Virgílio.
O líder do DEM, senador José Agripino (RN), fez uma reconstituição dos fatos e afirmou que Renan já tinha sido julgado pela opinião pública e pelo próprio Senado, referindo-se à decisão do Conselho de Ética, que por 11 votos contra quatro, votou pela cassação do mandato.
- Há uma clara definição das ruas e do Senado. O Conselho de Ética já decidiu por 11 votos a quatro. Não foi por nove a seis nem por oito a sete, mas por 11 a quatro. O que está em julgamento hoje aqui é o Senado - afirmou José Agripino.
Os relatores do processo no Conselho de Ética também se manifestaram. Os senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) apresentaram seus argumentos e o que consideram provas de que houve quebra de docoro. O senador Almeida Lima (PMDB-SE) manteve seu ponto de vista de que não havia provas para cassar o mandato de Renan e fez uma advertência aos demais senadores.
- A cassação do presidente do Senado abre as portas para a cassação de mais dois ou três senadores. Há uma campanha da mídia contra o Senado - afirmou.
Após o resultado, senadores passaram a temer pelo futuro do Senado
Senadores de oposição e da base aliada deixaram o plenário na tarde desta quarta-feira preocupados com o futuro da instituição. Demóstenes Torres (DEM-GO) e Tasso Jereissatti (PSDB-CE) criticaram os colegas que, segundo eles, colocaram a credibilidade da Casa em xeque. O pedetista Cristovam Buarque (DF) foi mais longe e decretou a morte do Senado:
- O Brasil hoje é um país sem Senado. O Senado está morto. Vamos ver quanto tempo ele leva para renascer. Não há credibilidade no Senado nem nos senadores. Somos uma entidade desmoralizada junto à opinião pública hoje. E acho que o governo fica mais forte com o Congresso demoralizado. Isso pesou no voto dos defensores do governo. Fica mais fácil para o governo aprovar o que precisa quando o Congresso está desmoralizado, quando a percepção da opinião pública é de que aqui só há corruptos.

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