Você também pode gostar desses:
- Não há artigos semelhantes a este.
Neste mês
Twitter Neto
Categorias
No passado
Ateismo
Divertidos
Dublagem
Administração
Tags
2010
2011
A Princesa e o Sapo
ateísmo
Avatar
Brasileiros
brasileiros burros
carnaval
Carros
churrasco
Diogo Moyses
Disney
Dublador
dubladores
dubladores brasileiros
Dublagem
elenco de dublagem
Enrolados
Falsa democracia
família
Força de vontade
Fraude
Get Lucky
halo 3
Hubble
Jornal Nacional
Mark Knopfler
Marshmallow
Michael Joseph Jackson
Microsoft
NASA
Paciência
Pessoal
piada
Pixar
pobre
Política
rico
Rio
Sony
Terra Magazine
Vergonha
vergonha alheia
Xbox 360
Xbox Live Brasil
Regras para os comentários:
1. Comentários de anônimos e/ou com e-mails inválidos serão apagados. Se quiser falar besteira ou ofender o autor, ao menos se identifique.
2. Já existe um campo reservado para você colocar o link do seu site/blog. Comentários com qualquer tipo de link são deletados, mesmo que o link seja relacionado ao conteúdo do post.
3. Eu tento, sempre que possível escrever corretamente e gostaria que vocês, meus leitores, fizessem o mesmo. Comentários escritos em miguxês e com texto inteiro em caixa alta não serão aprovados.
4. Antes de comentar, tenha certeza de que você entendeu o que acabou de ler, para que possa fazer um comentário relevante e dentro do contexto.
5. Modere no uso de palavrões ou expressões vulgares.
6. Comentários abusivos, difamatórios, racistas ou que constituem algum crime previsto na lei brasileira serão apagados. Para denunciar qualquer abuso, entre em contato comigo. Caso alguma infração seja constatada, apagarei o comentário imediatamente.
* As opiniões expostas nos comentários não refletem as do autor deste blog.
Como configurar seu avatar:
1. Clique aqui para cadastrar seu email.
2. Adicione o e-mail que você utiliza em seus comentários e click em Sign up.
3. Você receberá um email de confirmação, siga os passos e complete o cadastro.
4. Faça upload da sua imagem e pronto, seu avatar estará disponível em todos os sites com suporte ao Gravatar.
Inventamos um sistema ilógico, e criamos novas ilogicidades para suportar o sistema… E, como qualquer outro animal, lutamos pela sobrevivência… Mas sem a humildade necessária para nos manter vivos…
Gostaria de salvar esse vídeo, é possível?
Obrigada.
“A Fábula dos Porcos Assados
Uma das possíveis variações de uma velha história sobre a origem do assado é a seguinte:
Certa vez, aconteceu um incêndio num bosque onde havia alguns porcos, que foram assados pelo fogo. Os homens, acostumados a comer carne crua, experimentaram e acharam deliciosa a carne assada. A partir daí, sempre que queriam comer porco assado, incendiavam um bosque… até que descobriram um novo método.
Mas o que quero contar é o que aconteceu quando tentaram mudar o SISTEMA para implantar um novo.
Há muito tempo que as coisas não iam lá muito bem; às vezes os animais ficavam queimados demais ou parcialmente crus. O processo preocupava muito a todos, porque se o SISTEMA falhava, as perdas ocasionadas eram muito grandes – milhões eram os que se alimentavam de carne assada e também milhões os que se ocupavam com a tarefa da assadura. Portanto, o SISTEMA simplesmente não podia falhar. Mas, curiosamente, quanto mais crescia a escala do processo, tanto mais parecia falhar e tanto maiores eram as perdas causadas.
Em razão das inúmeras deficiências, aumentavam as queixas. Já era um clamor geral a necessidade de reformar profundamente o SISTEMA. Congressos, Seminários, Conferências passaram a ser realizados anualmente em busca de uma solução. Mas parece que não acertavam.
Assim, no ano seguinte repetiam-se os Congressos, Seminários e Conferências. As causas do fracasso do SISTEMA, segundo os especialistas, eram atribuídas à indisciplina dos porcos, que não permaneciam onde deveriam, ou à inconstante natureza do fogo, tão difícil de controlar, ou ainda às árvores, excessivamente verdes, ou à humidade da terra, ou ao serviço de informações meteorológicas, que não acertava o lugar, o momento e a quantidade das chuvas…
As causas eram, como se vê, difíceis de determinar – na verdade, o sistema para assar porcos era muito complexo. Fora montada uma grande estrutura: maquinaria diversificada; indivíduos dedicados exclusivamente a acender o fogo – incendiadores que eram também especializados, incendiadores da Zona Norte, da Zona Oeste, etc., incendiadores nocturnos e diurnos – com especialização em matutino e vespertino – incendiador de Verão, de Inverno, etc.
Havia especialistas também em ventos – os anemotécnicos. Havia um Director Geral de Assadura e Alimentação Assada, um Director de Técnicas Ígneas (com seu Conselho Geral de Assessores), um Administrador Geral de Reflorestamento, uma Comissão Nacional de Treino Profissional em Porcologia, um Instituto Superior de Cultura e Técnicas Alimentícias (ISCUTA) e o Bureau Orientador de Reformas Ígneo-operativas.
Tinha sido projectada e encontrava-se em plena actividade a formação de bosques e selvas, de acordo com as mais recentes técnicas de implantação – utilizando-se regiões de baixa humidade e onde os ventos não soprariam mais que três horas seguidas. Eram milhões de pessoas trabalhando na preparação dos bosques, que logo seriam incendiados. Havia especialistas estrangeiros estudando a importação das melhores árvores e sementes, fogo mais potente, etc.
Haviam grandes instalações para manter os porcos antes do incêndio, além de mecanismos para deixá-los sair apenas no momento oportuno. Foram formados professores especializados na construção dessas instalações. Pesquisadores trabalhavam para as universidades que preparavam os professores especializados na construção das instalações para porcos; fundações apoiavam os pesquisadores que trabalhavam para as universidades que preparavam os professores especializados na construção das instalações para porcos, etc.
As soluções que os congressos sugeriam eram, por exemplo, aplicar triangularmente o fogo depois de atingida determinada velocidade do vento, soltar os porcos 15 minutos antes que o incêndio médio da floresta atingisse 47 graus, posicionar ventiladores-gigantes em direcção oposta à do vento, de forma a direccionar o fogo, etc.
Não é preciso dizer que poucos especialistas estavam de acordo entre si, e que cada um baseava as suas ideias em dados e pesquisas específicos.
Um dia um incendiador categoria AB/SODM-VCH (ou seja, um acendedor de bosques especializado em sudoeste diurno, matutino, com bacharelado em verão chuvoso), chamado João Bom-Senso, resolveu dizer que o problema era muito fácil de ser resolvido, bastava, primeiramente, matar o porco escolhido, limpando e cortando adequadamente o animal, colocando-o então sobre uma armação metálica sobre brasas, até que o efeito do calor – e não as chamas – assasse a carne.
Tendo sido informado sobre as ideias do funcionário, o Director Geral de Assadura mandou-o chamar ao seu gabinete, e depois de o ouvir pacientemente, disse-lhe:
-Tudo o que o senhor disse está muito bem, mas não funciona na prática. O que o senhor faria, por exemplo, com os anemotécnicos, caso viéssemos a aplicar sua teoria? Onde seria empregado todo o conhecimento dos acendedores de diversas especialidades ?
- Não sei – disse o João.
- E os especialistas em sementes? Em árvores importadas para porcos, com suas máquinas purificadoras automáticas de ar?
- Não sei.
- E os anemotécnicos que levaram anos especializando-se no exterior, e cuja formação custou tanto dinheiro ao país? Vou mandá-los limpar os porquinhos. E os conferencistas e estudiosos, que ano após ano têm trabalhado no Programa de Reforma e Melhoramentos? Que faço com eles, se a sua solução resolver tudo? – Heim?
- O senhor percebe agora que a sua ideia não vem ao encontro daquilo de que necessitamos? O senhor não vê que se tudo fosse tão simples, nossos especialistas já teriam encontrado a solução há muito tempo atrás? O senhor com certeza compreende que não posso simplesmente convocar os anemotécnicos e dizer-lhes que tudo se resume a utilizar brasinhas, sem chamas! O que o senhor espera que eu faça com os quilómetros de bosques já preparados, cujas árvores não dão frutos nem têm folhas para dar sombra? Vamos, diga-me!
- Não sei, não senhor.
- Diga-me, nossos três engenheiros em Porcopirotecnia, o senhor não considera que sejam personalidades científicas do mais extraordinário valor?
- Sim, parece que sim
- Pois então. O simples fato de possuirmos valiosos engenheiros em Porcopirotecnia indica que nosso sistema é muito bom. O que eu faria com indivíduos tão importantes para o país?
- Não sei.
- Viu? O senhor tem que trazer soluções para certos problemas específicos por exemplo, como melhorar as anemotécnicas actualmente utilizadas, como obter mais rapidamente acendedores de Oeste (nossa maior carência) como construir instalações para porcos com mais de sete andares. Temos que melhorar o sistema e não transformá-lo radicalmente, o senhor entende? Ao senhor, falta-lhe sensatez!
- Realmente estou perplexo! – respondeu o João.
- Bem, agora que o senhor conhece as dimensões do problema, não saia dizendo por aí que pode resolver tudo. O problema é bem mais sério e complexo do que o senhor imagina. Agora, entre nós, devo recomendar-lhe que não insista nessa sua ideia – isso poderia trazer-lhe problemas no seu cargo. Não por mim, o senhor entende? Eu falo isso para o seu próprio bem, porque eu o compreendo, entendo perfeitamente o seu posicionamento, mas o senhor sabe que pode encontrar outro superior menos compreensivo, não é?
João Bom-Senso, não falou mais nada.
Sem se despedir, meio atordoado, meio assustado com sua sensação de estar caminhando de cabeça para baixo, saiu sorrateiramente e nunca mais ninguém o viu.
Por isso é que até hoje se diz, em muitas ocasiões, que falta o Bom-Senso.”