4 anos de Cidade Maravilhosa
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Hoje, dia 18 de setembro de 2004, completa 4 anos que estou morando aqui no Rio de Janeiro. Muitas pessoas me perguntam porquê eu vim para o Rio de Janeiro. Pois bem, vamos lá. Ah, sim, como a narrativa será um pouco maior, ficará aqui na capa principal somente esse parágrafo. O restante seguirá numa janela individual ao se clicar abaixo…
A maioria dos meus amigos sabe que sou de Vitória e que trabalho atualmente no provedor de internet Terra Networks. O motivo principal da minha vinda é que o antigo chefe da filial Vitória queria que ficasse apenas 1 funcionário no setor de infra-estrutura. Conforme conversado com o meu antigo gerente (que por algum acaso também já “bailou”), o escolhido tinha todas as capacidades para preencher o cargo, uma vez que entendia bem de redes e internetworking além de saber programar. Mas e os outros?
Bom, como já estava nesse impasse, foi feita uma oferta ao chefe que era de relocar os outros 3 funcionários restantes. Como? Bem, partindo do princípio que apenas 1 funcionário em Vitória poderia ser uma péssima idéia (ele poderia adoecer ou ter que resolver assuntos pessoais, afinal de contas ninguém fica 100% disponível para o trabalho), resolveu-se por deixar 2 funcionários locais e os outros 2 serem relocados para o Rio de Janeiro.
Muito francamente, em meados de junho, meu ex-gerente falou: “OU vocês se mudam para o Rio de Janeiro, com ajuda de custo incluída, OU vocês perdem o emprego”. É… Novos desafios, nova vida, nova rotina, nova cidade. E eu tinha começado um namoro havia apenas alguns meses com a Andréa (hoje minha esposa).
Então, veio na frente o outro colega. Ele veio primeiro pela experiência que tinha, maior bagagem. Eu acabei ficando em Vitória, num “banho-maria” de junho à setembro, terminando de deixar tudo ajeitado e documentado, uma vez que determinados procedimentos eram somente meus e eu tinha que deixá-los para os outros dois que iriam ficar.
Isso tudo sem contar que dava um frio na barriga ao se pensar “Rio de Janeiro”, “violência”, “favelas por todos os lados”, “bandidagem”, “tráfico de drogas”. Sem exagero algum, eu me imaginava saltando do aeroporto Santos Dumont e que um trombadinha iria me assaltar assim que eu pusesse os pés para fora dos limites do saguão. Pode parecer o fim da picada pensar assim, mas esse É (queiram vocês ou não, cariocas) o pensamento de quem vem pra cá para morar.
Morei por 3 meses num hotel em Copacabana. Ibiza Copacabana Hotel, para ser mais exato. No segundo ou terceiro andar, dividi por esse tempo um quarto com o outro colega. Conflitos, diferenças pessoais e profissionais foram impossíveis de se conter, tendo que viver diariamente com a pessoa, quase que 24h por dia. A sorte é que foram só 3 meses, porque a empresa falou que não iria mais pagar as diárias do hotel. Tivemos, às pessas, que resolver para onde iríamos. Alugar apartamento eram as palavras de ordem. Mas como? Na época, assim como hoje, a maioria dos anúncios pedia fiador com pelo menos 2 imóveis no Rio de Janeiro. Poucos aceitavam depósito ou segudo-fiança. Cada um se virou como pôde: eu acabei indo morar com a minha tia, em Niterói; meu gerente com a tia dele na… TIJUCA; o outro colega com o tio na… TIJUCA! Durante 1 mês ficamos nessa situação, de dezembro de 2000 a janeiro de 2001. A minha era um pouco mais complicada, por conta das conduções: ônibus da casa da tia para as barcas; barcas para o Rio e daí o metrô para o trabalho. E o mesmo trajeto na volta. Todos os dias de dezembro: calor, férias escolares, trânsito infernal, próximo do natal… Era de matar.
Em janeiro de 2001, nos mudamos para um apartamento em Botafogo. E que apartamento: 3 quartos, banheiro, sala, copa, cozinha, banheiro, área, dependência. E com a vista da foto aí ao lado. Nada mal para quem teve que aturar xilique do ex-gerente porque achava que ia tomar uma bala perdida por querermos ir morar na Tijuca. Graças ao tio do outro colega, pudemos alugar o apartamento, porque ele foi o nosso fiador. Mesmo estando com a nossa própria casa, os conflitos não diminuíram: volta e meia a gente se desentendia por qualquer besteira. Não era por menos, por estarmos fora do nossa “zona de conforto”, longe de casa (há mais de uma semana — Blitz, A dois passos do paraíso — trecho incidental), longe da família, amigos. Sem contar as pressões diárias do trabalho. Com isso tudo, o colega acabou desistindo. Em abril de 2001, ele jogou a toalha por conta de uma discussão com a gerente do setor comercial. A discussão em si foi boba: ela gritou com ele, exigindo maior atenção e comprometimento e ele não segurou as pontas, falando que não estava ali pra ouvir desaforos. Conclusão: pediu as contas e voltou pra Vitória. Baque total, porque estávamos juntos no barco e, aparentemente, o barco parecia estar começando a afundar. Acabou que não e a nossa sorte até melhorou. Entrou no lugar dele um amigo do Rio, que continua até hoje na empresa. Passamos por muitas situações boas e, claro, algumas situações muito MUITO ruins. Mas sempre sobrevivemos a todas elas.
Infelizmente, por conta do aluguel ficar pesado demais para apenas 2 pessoas, nos mudamos em junho de 2002 para Vila Isabel. Morei com o gerente por 1 mês e depois consegui alugar meu próprio apartamento, também aqui na Vila, onde moro até hoje. O gerente, como disse, acabou “perecendo” e veio a ser demitido em junho ou julho de 2003. Ele estava vacilando demais numas coisas e acabou chamando atenção demais pra si mesmo havia alguns anos.
Então, aconteceu o inevitável: o chefe de Porto Alegre veio para uma visita à filial e o gerente esperava uma visita de rotina, mas foi a visita da demissão dele. Acho até que ele precisava disso: estava faltando motivação para ele trabalhar, sempre chegava com aquele clima de “já morreu” no escritório, tudo era uma visão negativa pra ele. Nem eu nem o outro funcionário, que éramos subordianos à ele, estávamos aguentando mais. Pra encurtar: ele está trabalhando novamente em Vitória, feliz da vida e no setor que gosta.
Eu, como vocês podem ver, estou contente de morar no Rio de Janeiro. Há seus pesares de se morar aqui, mas sinceramente me acostumei com a cidade. Tive, nesses 3 anos sozinho, um crescimento pessoal e profissional nunca antes imaginado por mim: adquiri maior auto-confiança e segurança. Ainda bem que nada de ruim me aconteceu aqui, como ser assaltado ou bater o carro ou coisas assim. E há 1 ano estou aprendendo a viver minha vida como um homem casado. Estamos dia-a-dia construindo a nossa vida devagarzinho, eu e Andréa, no respeito mútuo, confiança e sabedoria. Já passamos por bons e maus momentos, como o padre falou que teríamos. Em breve, pretendemos ter nosso filho.
Saudades de Vitória? Sim, bastante. Se pretendemos voltar pra lá algum dia? Talvez… Quando se acostuma com uma cidade como o Rio de Janeiro, Vitória começa a parecer tão pequena, tão simples, tão… sem-ter-o-que-fazer. Apesar disso, nada se compara às suas belezes, sua tranquilidade, sua facilidade de ir e vir rápido de lugar para lugar. Quem sabe, num futuro não muito distante, a gente possa voltar. Só o tempo vai dizer. Enquanto isso, fico por aqui.


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Dan,
Compartilho com vc a mesma impressão sobre Vix em comparação com o Rio.
Vou sempre ao Rio, pelo menos uma vez por mês, e sempre volto com a sensação ambígua de estar voltando para um lugar que adoro (por ser minha casa e por sua tranquilidade) com a sensação de ter deixado de um lugar que também adoro mas por ser exatamente o contrário… a “agitação”!
Todos os dias em que passo aí é uma correria só… mas uma correria por ter “trocentas” coisas a fazer e pessoas a visitar…
Enfim… ADORO O RIO!
Abraços,
Dani