Há 27 anos, o doutor Toxo (como era conhecido na faculdade de veterinária na UFRRJ) deixou esse plano e alçou uma nova caminhada. Era querido pela família, pelos primos e tios, amigos e conhecidos. Forte e valente, dava um boi pra não entrar numa briga, mas também dava uma boiada pra não sair de uma. Temido pela sua aparência bruta, poucos atreviam-se a se meter com tal homem, de proporções gigantescas.
Campeão de judô na cidadezinha aonde nasceu, sempre gostou de tomar umas manguaças com os mais chegados, parentes ou não. Verdadeiro fã de churrasco, praticamente era um devorador assíduo de carne na brasa. Outra de suas inúmeras qualidades era o dom musical.
Segundo sua irmã, era um autodidata: bastava ouvir apenas uma vez a música para começar dedilhá-la ao violão, instrumento musical preferido, acompanhado do vozeirão. Também era desenhista ímpar que, segundo relatos, era um artista de mão cheia: fazia desenhos espetaculares em questão de instantes e com poucos traços. Infelizmente nenhum registro, tanto em fitas magnéticas com sua voz ou papéis com seus desenhos, ficou para poder mostrar sua arte.
Outra paixão, essa sim realmente de coração, era a profissão de médico veterinário. Dedicou-se como poucos ao trabalho de estudar os irmãos animais, injustamente chamado de irracionais, os quais teve verdadeiro fascínio.
Dr. Toxo, também conhecido como Paulo Góes, deixou na época dois filhos pequenos (o mais velho com 3 anos e o mais novo com 1 ano de idade) e esposa que, até hoje, sentem muita saudade. Daniel, o mais velho, hoje com 30 anos de idade, está escrevendo esse texto que vocês estão lendo e o mais novo, Paulo Filho, hoje com 28 anos, provavelmente o lerá como vocês. Sua esposa, Rita, continua na batalha do dia-a-dia, como todos nós, e feliz por ter dado aos filhos a oportunidade de ser mãe e pai quando eles mais precisaram.
Pai, aonde quer que esteja, obrigado por tudo. Sabemos que fisicamente você não pôde estar presente em todos esses anos, mas está conosco aonde quer que estejamos. Obrigado, acima de tudo, por nos dar o presente de ter o Josué como nosso pai. Talvez você tenha feito ele nos encontrar ou nós a ele para vivermos a felicidade de sermos uma família feliz e unida que somos hoje.





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