Ainda halloween
Colo aqui integralmente o e-mail do Nelson Machado, dublador do Quico (sim, Quico do seriado Chaves do SBT), quanto ao Halloween. Meio grandinho, mas achei que ele tem razão:
Talvez devêssemos ser um pouco menos exigentes conosco, Esse tipo de protesto, num primeiro momento, tem cara de uma sincera demonstração de indignação, mas na verdade é apenas uma repetição que nós fazemos por acharmos que o certo é dizer isso. Mas se analisarmos direitinho, vamos ver alguns furos no protesto.
Primeiro, todo mundo que escreve ou conversa sobre Halloween diz exatamente a mesma coisa: “temos uma cultura riquíssima e ninguém dá valor”. Em outras palavras está dizendo “só eu dou valor” e não percebe que todo mundo disse a mesma coisa e que, portanto, todo mundo está dando valor.
Segundo, que esse negócio de tradição própria, num país tão novinho quanto este aqui, é só retórica. Se os primeiros brasileiros tivessem feito todo esse protesto quanto a tradições externas, não teriam admitido nada que fosse português, espanhol, francês, holandês, americano (durante a segunda guerra) e hoje não teríamos toda essa misturada que resultou nesse tal “folclore nacional” de que tanto nos ufanamos (sem Portugal não teríamos o saci, por exemplo).
Dia das bruxas é uma tradição celta que se perpetuou entre os britânicos e chegou ao Novo Mundo se fixando no norte. NÃO TEM NADA A VER COM O BUSH E O IRAQUE! Sempre misturamos nossas raivas.
E ninguém fala do Bumba-Meu-Boi ou da Dia de Santo-Reis simplesmente porque não é época! Ou alguém estava falando de Dia das Bruxas em maio?
Não somos “um povo”. Somos uma fantástica mistura de povos. Temos brasileiros-africanos, brasileiros-japoneses, brasileiros-alemães, brasileiros-franceses, brasileiros-paraguaios e, sim, braslileiros-americanos. Todo mundo que vem pra cá e fica, vira brasileiro. E as gerações seguintes somam as coisas daqui com as tradições de outros países que aprenderam com os pais e avós. Isso é que formou e vai continuar formando nosso “riquíssimo folclore”.
Não haveria Saci sem Portugal. Não haveria Mula-sem-Cabeça sem a Espanha. Não haveria o Lobisomem sem Roma. Não haveria festa de Barretos sem caubóis e rodeios no cinema. Vamos permitir que as próximas gerações acumulem novas tradições, novas lendas, novas festas, senão, dentro de pouco tempo, o nosso “riquíssimo folclore” vai ficar “paupérrimo”.
Não vamos valorizar o que já temos apenas falando mal do que aparece. Vamos deixar aparecer tudo o que for possível, sem esquecer e sem desvalorizar o que já temos. E, pelo número de pessoas que está falando por aí e escrevendo em tudo quanto é lugar, gastando dinheiro com cartazes e construindo sites de protesto, o que mais temos é brasileiro “dando valor” ao que já temos.
E, bando de paus dágua, não vi ninguém falando mal do Oktoberfest!Nelson Machado
Hoje é o dia das bruxas. Já falei sobre este dia há alguns posts, mas hoje é pra comemorar o aniversário desta pessoa que eu amo de coração. Não é o meu pai biológico, mas não estou nem aí porque destes 20 anos em que ele entrou pra nossa vida (minha, do meu irmão e da minha mãe), fez uma grande diferença. Por isso, minha homenagem hoje é pra você, Josué Pinheiro Fonseca, que ajudou a moldar a minha personalidade, que me amou como um filho de verdade, que brigou quando foi preciso, que brincou, riu, chorou junto, dividiu confissões, caiu do skate no sítio tentando tirar banca de “eu sei andar nesse treco” (desculpe, mas essa pipocou na cabeça), ensinou a dirigir, passeou de helicóptero, ajudou a pegar aquele maldito peixe (que escapou miraculosamente depois de estar encurralado por nós dois) e mais uma infinidade de coisas que já não cabem mais aqui: FELIZ ANIVERSÁRIO, PAI! AMO VOCÊ! E que Papai do Céu permita a você ficar bastante tempo com a gente.
