Publicado por Daniel Neto e arquivado em Diversao
Copiei daqui e adaptei pra mim. Um dia ainda faço isso!
Trimmm!
- Alô.
- Alô, poderia falar com o responsável pela linha?
- Pois não, pode ser comigo mesmo.
- Quem fala, por favor?
- Daniel.
- Sr. Daniel, aqui é da TELEMAR, estamos ligando para oferecer a promoção TELEMAR linha adicional, onde o Sr. tem direito…
- Desculpe interromper, mas quem está falando?
- Aqui é Rosicleide Judite, da TELEMAR, e estamos ligando…
- Rosicleide, me desculpe, mas para nossa segurança, gostaria de conferir alguns dados antes de continuar a conversa, pode ser?
- …bem, pode.
- De que telefone você fala? Meu bina não identificou.
- 103
- Você trabalha em que área, na TELEMAR?
- Telemarketing Pró Ativo.
- Você tem número de matrícula na TELEMAR?
- Senhor, desculpe, mas não creio que essa informação seja necessária.
- Então terei que desligar, pois não posso ter segurança que falo com uma funcionária da TELEMAR.
- Mas posso garantir…
- Além do mais, sempre sou obrigado a fornecer meus dados a uma legião de atendentes sempre que tento falar com a TELEMAR.
- Ok… Minha matrícula é 34591212.
- Só um momento enquanto verifico. (Dois minutos)
- Só mais um momento. (Cinco minutos)
- Senhor?
- Só mais um momento, por favor, nossos sistemas estão lentos hoje.
- Mas senhor…
- Pronto, Rosicleide, obrigado por haver aguardado. Qual o assunto?
- Aqui é da TELEMAR, estamos ligando para oferecer a promoção linha adicional, onde o Sr. tem direito a uma linha adicional. O senhorestá interessado, Sr. Daniel?
- Rosicleide, vou ter que transferir você para a minha esposa, por que é ela que decide sobre alteração e aquisição de planos de telefones. Por favor não desligue, pois essa ligação é muito importante para mim. (Coloco o telefone em frente ao aparelho de som, deixo a música Festa no Apê do Latino tocando no Repeat (eu sabia que um dia essa droga iria servir
para alguma coisa!))
Depois de tocar a porra toda da musica, minha mulher atende:
- Obrigado por ter aguardado! Pode me dizer seu telefone, pois meu bina não identificou…
- 103
- Com quem estou falando, por favor?
- Rosicleide.
- Rosicleide de que?
- Rosicleide Judite (Já demonstrando certa irritação na voz)
- Qual sua identificação na empresa?
- 34591212 (Mais irritada ainda!)
- Obrigada pelas suas informações, em que posso ajudá-la?
- Aqui é da TELEMAR, estamos ligando para oferecer a promoção linha adicional, onde a Sra. tem direito a uma linha adicional. A senhora está interessada?
- Vou abrir um chamado e em alguns dias entraremos em contato para dar um parecer, pode anotar o protocolo por favor?…Alô… Alô? Alô!?
- TU TU TU TU TU…
- Desligou… Nossa, que moça impaciente!!!
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Publicado por Daniel Neto e arquivado em Dublagem, Internet
Mais uma excelente matéria do Rodrigo Fonseca para o Blog do Bonequinho do Jornal O Globo Online, sobre a direção de dublagem do filme “Wall-E”. Confira na íntegra o texto a seguir:
O Globo Online: Dirigindo as vozes de “Wall-E”
Voz brasileira de Peter Parker, na franquia “Homem-Aranha”, Manolo Rey, um dos mais prolíficos astros das versões brasileiras dos blockbusters hollywoodianos, foi o responsável pela direção de dublagem do encantador “Wall-E”, que estréia no fim de semana (confira outros lançamentos nos cinemas brasileiros). A produção, de contornos poéticos, ganha ainda mais lirismo em sua “encarnação” dublada graças ao esmero de Rey em preservar o tom poético do filme de Andrew Stanton. Rey convocou Cláudio Galvan para recriar os acordes robóticos do construto cibernético que estrela a nova animação da Pixar. A andróide Eva ganhou o gogó da talentosa Sylvia Salustti. O longa-metragem conta ainda com os dubladores Carlos Seidl, Eduardo Borguerth, Carla Pompílio, Guilherme Briggs, Priscila Amorim e Reginaldo Primo.
Com formação teatral no Tablado, onde estudou de 1982 a 1984, Rey estreou como dublador dois anos depois, no elenco vocal de “Os aventureiros do bairro proibido”. Vez por outra, ele pode ser ouvido nos filmes de Leonardo DiCaprio, como acontece em “Prenda-me se for capaz”. Atualmente, ele dirige a versão brasileira de “Zohan - O agente bom de corte”, capitaneando a dublagem de Alexandre Moreno como Andam Sandler. Nesta entrevista, ele explica como é pilotar a adaptação de uma animação da Disney para a língua portuguesa.

O GLOBO ONLINE: Por conta de todo o preconceito existente contra a dublagem, existe uma enorme dificuldade entre os leitores de compreender o que significa direção em dublagem. Como é, na prática, o ofício de dirigir uma versão brasileira?
MANOLO REY: A direção consiste em reger atores, como um maestro rege a orquestra. No caso, como os atores de dublagem não vêem o filme antes, o diretor deve passar a idéia exata do que ele quer em cada cena. A escalação é uma etapa muito importante. Um dublador escalado para o papel errado, ainda que seja um papel pequeno, pode prejudicar a qualidade de todo o filme. Isso, sim, gera o preconceito. Vemos muitas escalações equivocadas.
O GLOBO ONLINE: Que parâmetros estéticos são considerados em uma dublagem para uma animação da Disney? Existem termos que devem ser evitados nos diálogos no ato da tradução ou nos improvisos de bancada?
MANOLO REY: Quanto à direção de uma animação da DISNEY, eu diria que o principal é tentar passar o sonho, vender um novo mundo. Lembro que, quando criança, eu lia todas as revistinhas da Disney, como “Tio Patinhas”, “Pato Donald”, “Zé Carioca” e “Almanque Dinsey. Na época, imaginava aquelas cenas, aquelas situações. Assim também funciona a dublagem. Temos que passar a verdade através do sonho. O sonho tem que ser verdadeiro. Evitamos alguns diálogos em função da classificação de cada projeto. Por exemplo, num projeto infantil, não tem nada a ver colocar um termo que tenha conotação sexual. Evitamos todo e qualquer tipo de cacófato, por exemplo: “Me jogar” (que soa como “Mijo gar”). Devemos sempre vigiar todo e qualquer improviso dos dubladores, pois, para aumentar falas, muitos dubladores acrescentam o nome do personagem, e, em algumas cenas, pode ser que os personagens não se conheçam. Isso é um erro.
O GLOBO ONLINE: Como se deu a escolha do elenco de dublagem de “Wall-E”?
MANOLO REY: A escolha de vozes para WALL-E ocorreu bem antes do processo de dublagem. Os testes foram feitos com o Garcia Jr (consagrado dublador de personagens como He-Man, que, atualmente, é diretor de criação da Disney). Ele coordenou todo o projeto. Na época, ele fez testes para dois personagens, o comandante e o piloto automático. Os outros, fui eu que escalei, seguindo critérios meus. Muitas vezes, a animação pode ser mais difícil. Já vi dublador querendo fazer desenho animado com vozes diferentes da sua voz normal. E, no caso de Wall-E, vemos que os personagens têm vozes normais. Só os robôs têm voz diferente. O que quero dizer? Simples, não existe voz de gordo. Mas, às vezes, acontece de um dublador querer fazer um “tipinho”, só porque o personagem é gordo, ou é magro, ou é feio, ou é bonito. Na animação, nem sempre se deve fazer tipo. Na Disney, explora-se a voz normal. Raramente, faz-se tipo. Trabalha-se com a voz normal, que se encaixa no personagem, e passa muito mais verdade. Eu gosto disso na Disney.
O GLOBO ONLINE: Como é o processo de dublagem de animações em relação a filmes com atores. A dificuldade é maior do que em animações como “Wall-E”?
MANOLO REY: Não diria que entre animação e filmes com atores há uma diferença no nível de dificuldade. Há estilos. Já vi animações dificílimas, e filmes com atores reais facílimos. Atualmente, dirijo uma série chamada “Grey’s anatomy”, que considero muito difícil, pois usa termos médicos que nunca são fáceis de falarmos. Falar palavras difíceis, interpretando e sincronizando ao mesmo tempo, é sempre uma dificuldade maior.
O GLOBO ONLINE: Sua voz é associada a personagens jovens, de forte apelo heróico. Que elementos dramáticos da arte de atuar você utiliza como referência na sua interpretação? Existem diferenças entre dublar um grande ator, como Leonardo DiCaprio, e um canastrão?
MANOLO REY: Eu procuro me reciclar sempre. Pelo menos uma vez por ano, eu faço alguma oficina de interpretação, seja para TV ou para teatro. Nos últimos dez anos, fiz 13 oficinas de interpretação para TV com o diretor Ignácio Coqueiro, de quem sou fã. Isso é muito importante para todo ator: estudar. Não devemos parar nunca de estudar e de aprender. Quanto a grandes atores e canastrões, sempre existe uma diferença. Interpretar canastrões sempre é mais difícil, pois, se melhorarmos a interpretação deles, podemos estragar o filme, e, se não melhorarmos, também podemos estragar. Por isso, todo cuidado é pouco. Quanto ao Leonardo DiCaprio, especificamente, eu dublei ele em “Romeu + Julieta”, e foi um prazer sem igual. Dublei um texto de Shakespeare com naturalismo. Assim foi no original. Assim procuramos fazer na dublagem.
O GLOBO ONLINE: Existe uma carência enorme em relação a um memorialismo da dublagem no Brasil. O site Clube Versão Brasileira (http://www.quem.dubla.com.br) tem sido uma alternativa no esforço de se produzir um banco de dados da dublagem nacional. Por que há tanta dificuldade de se criar uma história da dublagem neste país?
MANOLO REY: O site foi criado por mim, Clécio Souto, Mariangela Cantu e Guilherme Briggs, numa tentativa de registrar a memória da dublagem brasileira. Na realidade, eu já havia criado o Clube Versão Brasileira em 1990. Era uma caixa postal, de número 150 ou 151, não lembro com certeza. Publiquei essa caixa postal em várias revistas e jornais. Em pouco mais de três meses, eu recebi mais de mil cartas de pessoas querendo saber sobre os dubladores. Só parei porque começaram a chegar algumas cartas ofendendo, e, como entregava as cartas fechadas aos colegas, acabava ficando numa situação ruim. A dificuldade nem é tão grande assim, é mais uma questão de força de vontade. Vou te dar um bom exemplo. Há colegas que dizem: “Ah, não gosto de ficar registrando meus bonecos (atores estrangeiros). Não esquento com isso”. Mas quando um ator que eles dublam aparece dublado por outro, esses colegas se revoltam. Portanto, o problema todo é de força de vontade. Temos que correr atrás e fazer alguma coisa nós mesmos, sem esperar que todas as empresas de dublagem se reúnam e criem um órgão, como o IMDB (Internet Movie DataBase) para registrar todos os trabalhos. Isso jamais acontecerá.
O GLOBO ONLINE: Que grandes vozes da dublagem foram esquecidas?
MANOLO REY: Tantas e tantas. Vou citar alguns dubladores que já se foram e cujas vozes não ouço mais nas reprises da TV: Paulo Pinheiro, André Luiz, Sonia Ferreira, Nelly Amaral, Garcia Neto, Turelli, Marcos Miranda, Paulo Flores, André Filho, Newton DaMatta, a quem ainda ouvimos de vez em quando, e Alexandre Lillipiani. Há outros que simplesmente abandonaram a profissão, como Ioney (Silva, dublador do personagem Tutubarão) ou Sonia de Moares.
O GLOBO ONLINE: Como você vê o ofício da dublagem hoje neste período em que grandes canais a cabo investem em programações dubladas?
MANOLO REY: A perspectiva seria até boa, não fossem colegas que aceitam qualquer condição de trabalho, ainda que seja inferior às condições estabelecidas a partir de negociações feitas pelo sindicato. Atualmente, dirijo na Delart, e há empresas que cobram um terço do que é cobrado lá. Como conseguem? Simples, diretores, tradutores e dubladores aceitaram trabalhar por menos, e em condições contrárias às estabelecidas por nós. Acredito que a dublagem só vai crescer quando houver maior cobrança quanto à qualidade. O público tem que reclamar do que é ruim e elogiar o que gostou. Claro, isso deve acontecer sem bairrismo e sem preconceitos de qualquer tipo. Quando isso acontecer, teremos filmes e séries com dublagem de qualidade realmente.
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Acabei de ver aqui e aqui que o ator André Valli faleceu hoje. Uma pena… Minha saudade maior de sua atuação certamente será pelo Visconde de Sabugosa do seriado infantil Sítio do Picapau Amarelo, fazendo-me recordar, inclusive, que minha alfabetização foi baseada em cima da obra do Monteiro Lobatto.
Mande um grande abraço à Zilka Salaberry e à Jacira Sampaio, respectivamente intérpretes das personagens Dona Benta e Tia Nastácia.


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Publicado por Daniel Neto e arquivado em Internet, Mas viu?
Você gosta de divulgar em seu blog ou site os restaurantes que frequenta e tecer comentários sobre eles? Cuidado porque esses mesmos estabelecimentos podem obrigá-lo a tirar os comentários, caso eles sejam desfavoráveis à sua própria reputação ou ao serviço prestado.
Por essas e outras que eu continuo achando o direito brasileiro do cidadão uma bela mentira: quem possui direitos é quem tem o melhor advogado. Eu inclusive iria até tecer comentários sobre advogados, mas… sabe como é: nunca se sabe se algum deles está lendo isso por aqui para poder arrumar uma quizumba comigo por conta de comentários, digamos, “preconceituosos” contra a classe.
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Publicado por Daniel Neto e arquivado em Dublagem
Mais uma vez, o jornal O Globo deu destaque à dublagem brasileira, por méritos do jornalista Rodrigo Fonseca. Ele fez uma entrevista com o dublador Marco Ribeiro, responsável pela voz do ator Robert Downey Jr. para o filme “Homem de Ferro” que estreou na última sexta-feira, dia 02 de maio.
Marco Ribeiro, uma voz que não enferruja
Das 500 cópias de “Homem de Ferro” lançadas no Brasil, 150 chegam com uma caprichada versão brasileira. Parte significativa desse capricho garantido à dublagem se deve ao trabalho do carioca Marco Ribeiro. Aos 37 anos, ele é um dos atores mais prolíficos do país quando o assunto é emprestar a voz a produções estrangeiras. Ribeiro é o dublador oficial de Tom Hanks, Jim Carrey e Antonio Banderas no Brasil. Robert Downey Jr. deve ser acrescentado com todos os méritos a essa lista de talentos. Basta ouvir os primeiros 20 minutos do filme de Jon Favreau para se ter essa impressão. Assim como Downey Jr. se reinventa artisticamente interprentando o industrial Tony Stark, Marco Ribeiro se recria dublando o ex-junkie.
Nascido e criado nas imediações da Tijuca, de família evangélica, Marco Antonio Ribeiro da Silva é também pastor na Assembléia de Deus. Mas foi como ator que ele fez sua voz circular nacionalmente. Sua estréia na dublagem se deu 1986, quando entrou para o time da Herbert Richers. Começou participando de seriados como “A gata e o rato” e “Combate no Vietnã”. Com o tempo, passou a alcançar papéis maiores e mais densos, por merecimento e perseverança. Sua vitalidade dramática já foi louvada pela crítica várias vezes. Um caso recente que ilustra seu talento é “Horton e o mundo dos Quem”, animação em que ele dubla o serelepe elefantinho que dá título ao longa-metragem. Atualmente, ele também é diretor de um estúdio próprio, a Audionews, que fica na Usina.
A atuação de Ribeiro dublando Robert Downey Jr. se destaca à frente de tudo o que ele fez desde sua estréia profissional. Nesta entrevista, Ribeiro comenta como foi feita a versão nativa de um dos blockbusters mais aguradaddos do ano. A dublagem foi dirigida por Guilherme Briggs (a voz de Buzz Lightyear) e contou com a colaboração de mestres do setor como Julio Chaves, que cede o gogó a Jeff Bridges. Além das nuanças artísticas de seu ofício, Ribeiro comenta questões políticas que hoje complicam a rotina profissional dos dubladores cariocas. Confira o pingue-pongue a seguir:
O GLOBO: Todo dublador é ator. O registro profissional de ator é uma exigência. Mas para além dessa formação prévia, o que um dublador precisa conhecer para interpretar com o máximo de riqueza artística?
MARCO RIBEIRO: É fundamental que um dublador tenha boa leitura. Parece meio óbvio, mas nota-se muita dificuldade nesta área. Também acho fundamental, em qualquer profissão, o amor ao trabalho. Também é importante bons reflexos, um bom nível de cultura geral e, pelo menos, alguma noção de inglês. Este último ítem pode ajudar muito e ser fundamental em certos aspectos. Também seria interessante que o dublador soubesse cantar, pois assim ele abriria mais o campo de trabalho e poderia ter mais possibilidades para ser escalado no caso de desenhos com canções. Habilidades de mudar a voz e brincar com a voz também contam muito. Quanto mais versátil um dublador for, mais chances ele terá. Outras questões importantes: humildade e jogo de cintura. Sem estas duas virtudes é difícl sobreviver na dublagem.
O GLOBO: Você é a voz oficial de Tom Hanks no Brasil. Hanks é um dos atores mais prestigiados de Hollywood por seu talento dramático. Qual é o grau de exigência dramática que um ator de talento como Hanks impõe a um dublador? Quais são as dificuldades de se dublar um canastrão?
RIBEIRO: Já dublei muitos canastrões. Fiz vários galãs de novela mexicana, filmes de lutas marciais… Não escolhemos papel. Dublamos de tudo um pouco. Mas, com certeza, quando dublamos bons atores, somos mais exigidos. Crescemos muito nessas horas. É bom fazer personagens mais complexos, com nuanças de interpretação. Isso ajuda no crescimento do ator como dublador. Fiz um filme do Tom Hanks, “Terminal”, no qual tive que falar búlgaro. Com a assistência de uma pessoa do próprio consulado e com a direção de Marlene Costa (uma das maiores dubladoras do país), conseguimos realizar um lindo trabalho de dublagem. Mas temos que dançar conforme a música. Tenho ouvido muita besteira por aí do tipo “a dublagem não deve melhorar o original”. Isso é uma grande bobagem. Já vi vários e vários trabalhos que só se tornaram assistíveis após a dublagem. Tudo depende da competência do diretor em escalar corretamente e fazer o dever de casa corretamente.
O GLOBO: Que dubladores te serviram como parâmetro de qualidade no início da tua trajetória? Que revelações da dublagem você destacaria hoje?
RIBEIRO: Eu dublo há 22 anos e dirijo dublagens há 16. Quando iniciei, em 1986, era tudo muito diferente. Havia um amor maior, um respeito maior pelos profissionais e também havia dubladores maravilhosos. Seria injusto esquecer de alguém. Existiam atores fantásticos como Magalhães Graça, Marcus Miranda, André Filho, Newton DaMatta, Andre Luiz, Milton Luiz, Francisco Turelli, Paulo Flores, Paulo Pinheiro, Dario Lourenço, Sonia Ferreira, Nely Amaral, Vera Miranda. Muita gente boa se foi. Mas muita gente boa ainda está aqui, como Orlando Drumond, Miguel Rosemberg, Jomery Pozzoli. Hoje também temos talentos como Guilherme Briggs, Alexandre Moreno, Adriana Torres, Matheus Perrise, Yan Gesteira, Miriam Ficher, Mauro Ramos.
O GLOBO: Robert Downey Jr., o Tony Stark do filme, é um exemplo similar a Tom Hanks em matéria de talento. O que você poderia comentar da composição de Stark na dublagem? Que exigências o personagem te impôs, em função do talento dramático de Downey Jr.?
RIBEIRO: Robert tem uma maneira muito peculiar de interpretar. Ele é um excelente ator da linha do Actor’s Studio. É bem natural. Então, na dublagem, junto com o Guilherme Briggs, procuramos seguir esta linha descontraida de interpretação. Ele fala muito rápido, jogando as falas. É um desafio tentar ser o mais natural possível, mantendo o sincronismo e a dicção nas falas rápidas. Deu trabalho, mas foi.
O GLOBO: Qual é o peso de se trabalhar com um diretor de dublagem com o dinamismo de Guilherme Briggs na dublagem de um blockbuster como “Homem de Ferro”?
RIBEIRO: Sem rasgar seda, é muito bom trabalhar com o brigs, alguém que eu, praticamente, vi chegando na dublagem e que cresceu de uma maneira fantástica, sem deixar que o sucesso subisse à cabeça. Ele nos deixa muito à vontade, sem paranóias interpretativas.
O GLOBO: A que você atribui o preconceito contra a dublagem que costuma existir por parte de uma certa intelectualidade que repudia filmes em versão brasilera? Qque poderia ser feito para reverter o repúdio à dublagem?
RIBEIRO: Moralizar a profissão é um caminho. Nos últimos anos, a dublagem foi inundada por muita gente que só quer ganhar dinheiro e que não está nem aí para a qualidade artística. Há pessas que trabalham de má vontade. Isso se dá tanto com os atores quanto com os empresários de dublagem. Muitos criticam sem saber. Sem conhecimento, abrem a boca só para ouvir o som da própria voz. Se pegarmos alguns filmes dublados em DVD, dá vontade de chorar. São empresários aventureiros da dublagem, que oferecem preços baixíssimos aos clientes. Assim, a qualidade também vai por água abaixo. Escalações malfeitas, vozes terríveis, interpretações sofríveis, feitas por pseudo-atores que se vendem aos acordos mais baratos e fazem trabalhos péssimos. Eu nem os chamaria de atores, mas de oportunistas.
O GLOBO: Como você avalia o boom da dublagem paulista. Do ponto de vista estético, o trabalho de dublagem feito em São Paulo costuma ser alvo de muitas críticas. A maioria dos comentários depreciativos contra o trabalhos dos dubladores paulistas aponta uma falta de rigor dramático na interpretação, além de erros de sincronia. A dublagem dos tempos da BKS era uma exceção. O mesmo se fala de grandes profissionais ainda em atividade por lá, como o time exemplar que fez as vozes do seriado “Chaves”, que é um marco entre as versões brasileiras. Mas, no dia-a-dia, as queixas contra os filmes dublados em solo paulistano só faz crescer. Estranhamente, o mercado lá parece estar crescendo. O que está acontecendo?
RIBEIRO: O que acontece em São Paulo com relação à dublagem é surreal. Os órgãos competentes deveriam atentar mais para esta situação. Tenho alguns colegas lá. E, em maioria, os dubladores são bons atores, honestos e têm bom caráter. Mas existe uma minoria que é terrível e que faz acordos e pacotes com empresas de dublagem que usam péssimos profissionais para baratear de forma desonesta os valores da dublagem para os clientes. Infelizmente, o Sated (Sindicato dos Atores e Técnicos em Espetáculos de Diversões), em São Paulo, não é tão atuante quanto o Sated do Rio. Em São Paulo, algumas empresas não cumprem o acordo coletivo de trabalho, pagam aos atores valores inferiores aos do Rio de Janeiro, não usam nota contratual, trabalham com profissionais sem registro etc. E nada acontece.
O GLOBO: É daí que tem vindo a alegações de baixa qualidade artística nas dublagens feitas em São Paulo?
RIBEIRO: Algumas vezes, aluguei DVDs na locadora e, simplesmente, não consegui assistir aos filmes na versão brasileira, pois eles eram dublados em São Paulo com péssimas vozes, escalações terríveis, interpretações sofríveis e qualidade técnica abaixo da crítica. Penso que algumas distribuidoras de filmes e emissoras de TV deveriam atentar mais para a qualidade dos filmes que vendem e exibem, porque muitas dublagens de péssima qualidade estão sendo realizadas em empresas que não cumprem em nada as leis trabalhistas e as demais obrigações que deveriam ser cumpridas. Por isso, elas fazem preços muito abaixo do mercado, praticando o chamado dumping. Isso é uma vergonha, pois, no Rio, as empresas de dublagem têm que cumprir várias exigências do acordo coletivo de trabalho e, por isso, muitos trabahos estão indo para São Paulo. Os filmes são dublados lá não por que em São Paulo eles tenham mais qualidade do que nós, mas, simplesmente, porque, no Rio, os dubladores e empresas cumprem as regras estabelecidas. Aqui, cumprem-se acordos e, em São Paulo, em vários casos, nada disso acontece. Daí, eles podem cobrar preços bem mais baixos, que alguns clientes, inocentemente, pagam, sem saber que a qualidade do seu produto também cai terrivelmente. Não é mais caro dublar no Rio. A diferença é que, aqui, cumprimos as regras estabelecidas, temos bons profissionais, em todos os sentidos e, por isso, podemos dar melhor qualidade aos nossos produtos. Que eles cobrem preços mais adequados à realidade do mercado e vamos disputar somente na qualidade e no serviço prestado. Isso não seria justo?
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